Em Macau aumenta a ansiedade aumenta à medida que as horas passam

À medida que as horas passam e vão chegando a Macau mais relatos dos locais da tragédia, aumenta a ansiedade de familiares e amigos de portugueses que continuam desaparecidos na Tailândia e diminuem as esperanças de sobreviventes.

José Costa Santos, da Agência Lusa /

Um dos seis portugueses dados como desaparecidos na Ilha Phuket, uma jovem que estaria a fazer mergulho quando ocorreram os maremotos, foi entretanto recolhida viva por um barco frigorífico, disse à Lusa fonte próxima da família.

Portugal não tem, segundo os relatos de cidadãos portugueses, nenhum representante em Phuket e as últimas informações recolhidas via telefone em Banguecoque apontam também para a inoperacionalidade da emissão de passaportes e documentos de identificação.

De Macau, seguiram via fax, como o próprio cônsul-geral confirmou à agência Lusa, as fotocópias dos bilhetes de identidade e dos passaportes dos portugueses residentes na Região Administrativa Especial chinesa mas tais papéis são insuficientes enquanto a equipa especial enviada de Lisboa não tiver condições de começar a emitir documentos.

Os portugueses residentes em Macau ainda têm o apoio dos gabinetes instalados em Banguecoque e Phuket pelos Serviços de Turismo de Macau que disponibilizam todas os meios necessários, inclusive alojamento e passagens aéreas, mas nos últimos anos, aquela ilha tailandesa tornou-se também um destino com partida de Portugal.

Nas listas disponibilizadas na Internet pelas autoridades tailandesas sobre os feridos internados nos hospitais da região de Phuket os nomes dos feridos também não são claros em alguns casos e podem surgir, por nomes mal escritos ou nacionalidades trocadas, confusões quanto à verdadeira identidade.

Há registos nos hospitais que nem referem nomes nem nacionalidades, apenas a cor dos cabelos ou especificando que se trata de uma mulher ou homem com determinadas características ou aparentando esta ou aquela idade.

Familiares de portugueses residentes em Macau que continuam desaparecidos na Tailândia relatam também que as autoridades daquele país começaram a solicitar fotografias das pessoas que continuam incontactáveis porque terão começado a dar à costa corpos de vítimas mortais e há necessidade de identificar os cadáveres.

Depois de anoitecer (no sudeste asiático a diferença horária para Portugal é de mais sete a oito horas) começam a surgir maiores dificuldades no contacto com as pessoas que estão na Tailândia, alguns porque já conseguiram iniciar a viagem de regresso, outros porque estão em locais sem acesso telefónico, outros porque perderam tudo ou estão sem baterias nos telefones.

Residentes portugueses de Macau que têm familiares em hospitais, como o grupo de três portugueses que 24 horas depois da tragédia foi encontrado num hospital do sul da Tailândia, já se encontram no local da tragédia e procuram ainda pelos restantes familiares desaparecidos.

De acordo com os dados disponibilizados à Lusa através de contactos feitos a partir e para a delegação da agência em Macau, continuam por encontrar cinco portugueses, todos residentes em Macau, incluindo um casal com uma filha que segundo relatos de amigos estariam em pleno mar a fazer mergulho, um homem e Belinda Coutinho, a mulher do jornalista Paulo Coutinho que foi encontrado com os filhos no hospital.

Além destas pessoas há ainda a registar o desaparecimento da bebé de oito meses levada pelas águas aquando dos maremotos.

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