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Em Viseu solidão, dor e revolta juntaram divorciados em jantar

Em Viseu solidão, dor e revolta juntaram divorciados em jantar

O peso da solidão, a dor de ter os filhos longe e a revolta pela indiferença com que dizem ser tratados são sentimentos que juntaram hoje à noite um grupo de divorciados num restaurante de Cabanas de Viriato.

Agência LUSA /

A frase "Unidos pela mesma causa vamos combater a indiferença com que somos tratados", pendurada numa parede do restaurante, dava o mote ao jantar, promovido pela Acolher - Associação de Apoio aos Pais Divorciados e Filhos Desprotegidos.

"Existe um grande desgaste emocional num divórcio. Há uma grande confusão de sentimentos, que muitas vezes as pessoas não sabem gerir. É difícil adaptarem-se novamente à vida de solteiros", afirmou Ana Matos, uma das duas psicólogas que é voluntária na associação.

Tudo se complica quando o casamento acaba mas ficam os filhos.

"Foi um rude golpe na minha vida, não propriamente o divórcio, mas o não poder ver os meus filhos. Foi uma guerra psicológica muito grande", referiu José Manuel Polido, que esteve casado dez anos e se divorciou há 18, quando um dos filhos tinha poucos meses de idade e o outro quatro anos.

"Vivia em Nova Iorque e quando me divorciei só podia ver os meus filhos de 15 em 15 dias e com supervisão. Não aguentei a pressão e vim embora para Portugal, mas a mãe deles proibiu-os de contactar comigo", contou.

Durante oito anos, José Manuel Polido, que é catedrático na Universidade de Coimbra, não viu os filhos. Vingou-se na escrita, tendo desta sua revolta nascido as obras autobiográficas "Amor explorado" e "Amor, solidão e fé".

Por tudo o que passou, não hesita em defender que "a guarda conjunta devia ser uma norma" e, no caso de um dos progenitores impedir o contacto do outro com os filhos, "isso devia ser considerado um crime, equivalente ao rapto e ao sequestro".

A mesma ideia defende Manuel Figueiredo, um dos fundadores da associação Acolher, que considera que a legislação existente está desactualizada.

"Apelo ao primeiro-ministro e ao líder da oposição, que são ambos divorciados, a que criem condições para que a legislação seja adaptada à realidade actual. A lei está caduca, nomeadamente na regulação do poder paternal. Os pais não podem ser só chamados pais para uma coisa e esquecer-se a outra", afirmou.

Manuel Figueiredo pediu também que os valores da família sejam desde cedo ensinados às crianças nas escolas, como forma de evitar a continuação do aumento dos divórcios em Portugal.

Presente no jantar estava o director da delegação de Viseu da Segurança Social, Leonel Carvalho, segundo o qual "o número de divórcios quadriplicou", criando problemas paralelos nas crianças, que é preciso ajudar.

O responsável garantiu que vai analisar os estatutos da Acolher, para, caso se enquadre no âmbito das Instituições Particulares de Solidariedade Social, serem dados "os passos necessários" para a apoiar.

Constituída em Viseu no final de Maio, a associação funciona provisoriamente num espaço exíguo, sem condições para exercer as actividades a que se propõe, nomeadamente prestar apoio psicológico e jurídico aos pais divorciados e seus filhos.

Entre as várias ideias que os responsáveis e voluntários da associação gostariam de pôr em prática está a criação de uma linha verde e o desenvolvimento de terapia de grupo.

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