Embaixada de Portugal entregou material médico destinado ao Uíge
A Embaixada de Portugal em Luanda entregou hoje ao Ministério da Saúde de Angola material descartável de uso médico para apoiar as unidades de saúde da província do Uíge, onde uma febre hemorrágica já provocou 92 mortos.
A doação, que chegou a Luanda por via marítima, tem como objectivo apoiar "as medidas de prevenção sanitária já tomadas pelas autoridades de saúde angolanas na província do Uíge", disse fonte da embaixada portuguesa.
O carregamento destinado ao pessoal médico e hospitalar inclui 1.000 pares de luvas, 500 batas, 500 máscaras e 500 fatos-macacos de protecção.
"Foi decidido enviar este material porque foram estas as carências que o Ministério da Saúde de Angola disse ter depois de feito um levantamento das necessidades", salientou a fonte da embaixada portuguesa em declarações à Lusa.
"No futuro, se for necessário, poderemos vir a fazer novos carregamentos", admitiu.
A província angolana do Uíge, no norte do país, está a ser afectada por um surto de febre hemorrágica de origem desconhecida, que já provocou a morte de 92 pessoas, segundo revelou segunda-feira o governador provincial, António Bento Kangulo.
Os primeiros registos da doença são de Outubro de 2004, mas a maioria dos casos mortais verificou-se nas últimas semanas, tendo a situação sido tornada pública depois da morte de duas enfermeiras do Hospital Provincial do Uíge.
Amostras de sangue das vítimas desta doença foram enviadas para o Instituto Pasteur, em Dakar, no Senegal, e para o Centro de Controlo de Doenças, em Atlanta, nos Estados Unidos, esperando-se que os resultados possam ser conhecidos no final desta semana.
Uma equipa multidisciplinar, que integra especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro de Controlo de Doenças de Atlanta chegou hoje ao Uíge para recolher mais informações sobre a doença.
O Consulado Geral de Portugal em Luanda está a recomendar aos cidadãos portugueses que não se desloquem ao Uíge enquanto a situação não estiver esclarecida, sugerindo aos que se encontram na região para partirem para Luanda.
As empresas portuguesas que trabalham na província do Uíge já retiraram os seus trabalhadores para a capital angolana, o mesmo acontecendo aos seis elementos da organização Leigos para o Desenvolvimento, que solicitaram o apoio consular para regressarem a Luanda.