Embaixador português chegou hoje a Bagdad para assumir funções
O embaixador português Francisco Falcão Machado chegou hoje de manhã a Bagdad, depois de "ultrapassadas as questões operacionais que o retiveram" na capital da Jordânia, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado.
Até à chegada do embaixador, Portugal manteve o regular funcionamento da embaixada através do encarregado de Negócios, José Carlos Severino, lembra no texto o porta-voz do Ministério.
Francisco Falcão Machado viajou para Amã na quinta-feira da semana passada, mas ficou retido na Jordânia em consequência do plano especial de segurança posto em funcionamento pelo governo interino do Iraque para as eleições gerais de domingo passado.
O plano incluía o encerramento das fronteiras terrestres e do aeroporto internacional de Bagdad, que só terça-feira ao fim do dia foi reaberto.
A escolha de um embaixador português para a capital iraquiana estava pendente desde que, em Junho do ano passado, o embaixador Luís Barreiros, em Bagdad desde 2001, foi nomeado para a embaixada de Zagreb na movimentação diplomática decidida pela ministra Teresa Gouveia.
Francisco Domingos Garcia Falcão Machado, de 59 anos, é licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e diplomado pelo Instituto Internacional de Administração Pública de Paris.
Ingressou na carreira diplomática em 1971 e passou pelas embaixadas de Paris, Estocolmo, Oslo, Caracas e São Paulo.
Antes da colocação em São Paulo, onde esteve entre 1990 e 1995 como cônsul-geral, Falcão Machado esteve quatro anos à frente dos Serviços de Recrutamento, Formação e Planeamento da direcção-geral de Pessoal do Ministério dos Negócios Estrangeiros, uma área em que voltou a trabalhar nos últimos meses, quando foi nomeado para o júri do concurso externo de ingresso na categoria de adido de embaixada.
Em 1993 foi promovido à categoria de embaixador, mas manteve- se como cônsul-geral em São Paulo até 1995, data em que foi chefiar a embaixada portuguesa em Lusaca.
Seguiu-se, em 1999, a embaixada portuguesa em Kinshasa, onde permaneceu até 2004.
Falcão Machado sucede no posto a Luís Barreiros, que em Janeiro de 2001 reabriu a representação diplomática portuguesa em Bagdad, então ao nível de encarregado de negócios, encerrada vários anos antes, na sequência da primeira Guerra do Golfo.
Em Fevereiro de 2003, um mês antes do início da intervenção militar que levou à queda do regime de Saddam Hussein, Luís Barreiros foi chamado a Lisboa, regressando em princípios de Maio do mesmo ano, na sequência de uma decisão conjunta dos membros da União Europeia de reabrir as embaixadas na capital iraquiana, para abrir a representação, entretanto elevada à categoria de embaixada.
Na movimentação diplomática decidida em Junho de 2004 pela ministra dos Negócios Estrangeiros Teresa Gouveia, Luís Barreiros foi designado para a embaixada portuguesa em Zagreb, na Croácia, mas nenhum nome foi apontado para Bagdad.
Na altura, chegou a ser referido não oficialmente o nome do "número dois" da embaixada portuguesa em Moscovo, Jorge Torres Pereira, mas a mudança de governo ocorrida dias depois, na sequência da candidatura de José Manuel Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia, manteve em aberto o nome do sucessor de Barreiros no posto.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Luís Barreiros saiu de Bagdad em meados de Dezembro de 2004 para assumir funções como embaixador na Croácia a 1 de Fevereiro.