Embaixador Tadeu Soares considera que "ainda há um longo caminho a percorrer"

Lisboa, 30 Jan (Lusa) - O secretário-executivo adjunto da CPLP, cargo que é extinto na quinta-feira, considerou hoje "positiva" a actuação da organização lusófona interna e externamente, embora tenha salientado que a comunidade "tem ainda um longo caminho a percorrer".

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Em declarações à Agência Lusa, o embaixador José Tadeu Soares, que cessa quinta-feira funções, após três anos e meio no cargo -, lembrou que, durante a sua gestão, subordinado a Luís Fonseca, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ganhou visibilidade internacional com a intervenção e mediação em vários conflitos, como na Guiné-Bissau e em Timor-Leste.

"Hoje, a CPLP é uma organização que é ouvida nos fóruns internacionais, nas Nações Unidas, na União Africana, na União Europeia, e em organizações internacionais", sublinhou Tadeu Soares, diplomata de carreira que vai agora regressar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Mas, mais importante do que a visibilidade externa, defendeu, é a projecção e evolução registada entre os oito Estados membros, hoje muito melhor apetrechados nas suas relações, a todos os níveis.

"Deram-se passos assinaláveis nos últimos anos e exemplo disso é a concertação política, o desenvolvimento das relações bilaterais e a promoção conjunta da Língua Portuguesa", sustentou, lembrando que a comunidade lusófona "já não é uma organização de Estados e de funcionários" e "já se abriu à sociedade civil".

Segundo Tadeu Soares, natural do Porto, onde nasceu a 08 de Outubro de 1949, procedeu-se internamente a uma reforma das estruturas, que possibilita agora capacidade de intervenção à organização, e à integração na CPLP, embora com autonomia, do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).

"Embora as reformas não sejam ainda suficientes, houve a preocupação, nos últimos anos, de encontrar e recrutar quadros técnicos, que permitam aliar a experiência política ao diálogo e execução de projectos", sublinhou.

"Há ainda muito a fazer. A grande maioria dos Estados membros tem um baixo índice de desenvolvimento humano. É preciso apostar em desafios mais importantes, como os sectores da energia, saúde, ambiente, mar e sobretudo na juventude", sustentou.

Tadeu Soares, jurista de formação, adiantou que "há ainda tarefas por concluir", que passam pela aprovação do acordo ortográfico, a dinamização do IILP, e a facilidade de circulação de pessoas e bens no espaço lusófono.

O novo cargo de Director-Geral será ocupado, a partir de quinta-feira, pelo guineense Hélder Vaz, 45 anos, antigo ministro da Guiné-Bissau.

Por seu lado, o secretário-executivo da CPLP, Luís Fonseca, em declarações à Lusa, considerou Tadeu Soares, escolhido em Julho de 2004 e reconduzido em Julho de 2006, um "distinto diplomata" cuja "dedicação e empenho" no desempenho de funções permitiram os avanços alcançados.

"Com grande capacidade de trabalho, fértil em ideias inovadoras, muito a CPLP lhe fica a dever nos avanços que conseguimos nestes últimos anos. Realço a sua participação dedicada na preparação da Cimeira de Bissau", elogiou Luís Fonseca.


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