Emigrante português deixa filho de 4 anos no Brasil por falta título transporte
Um menino de quatro anos filho de um português e de uma russa está sozinho no Brasil porque o consulado em São Paulo recusou passar um título de viagem por falta de nacionalidade portuguesa da criança.
Segundo contou à Agência Lusa o pai do menino, Miguel Leite, emigrante português em Genebra, a criança (Mikael Leite) está aos cuidados de um taxista seu conhecido em São Paulo porque não conseguiu o título de viagem para o trazer para Lisboa, onde ficaria aos cuidados da avó, antes de regressar à Suiça, onde trabalha.
Quando Mikael Leite nasceu, há quatro anos, foi registado com nacionalidade brasileira no consulado do Brasil em Zurique porque a sua mãe, de origem russa, tinha nacionalidade brasileira.
"Nunca houve nenhum problema. Sempre fez uma vida normal, até que em Abril do ano passado (a mãe) foi detida no Brasil - onde tinha ido para renovar a sua documentação de nacionalidade - e acusada de falsificação de documentos", contou Miguel Leite.
Na altura, a criança estava com a mãe em São Paulo e durante os três dias em que a cidadã russa esteve detida Mikael Leite ficou ao cuidado do taxista com quem está agora no Brasil.
Devido aos problemas jurídicos da mãe, Mikael Leite ficou sem qualquer nacionalidade e o seu passaporte foi confiscado.
"Desde Junho do ano passado que tem sido uma luta para conseguir registar o Mikael com nacionalidade portuguesa no consulado em São Paulo", referiu Miguel Leite.
O pai tentou registar o filho no consulado de Portugal em Genebra, mas tal não foi possível porque exigiam a presença da criança.
Entretanto, e devido aos problemas com a justiça, a mãe foi obrigada esta semana a deixar o Brasil e a regressar à Rússia e o pai teve de regressar ao trabalho, na Suiça, deixando o filho em território brasileiro.
"Como tinha que começar hoje a trabalhar em Genebra, senão era despedido, tive de deixar o meu filho em São Paulo com o taxista que apenas conheço das viagens que fazia com ele", afirmou Miguel Leite.
Contactada pela Lusa, a vice-cônsul de Portugal em São Paulo, Sofia Batalha, explicou que só esta semana o pai da criança contactou o consulado para registar o menino.
"Só 48 horas antes da mãe ser expulsa é que o pai foi tratar da documentação", contou.
Sofia Batalha adiantou que este caso está a demorar mais tempo a ser resolvido devido aos problemas da mãe com a justiça brasileira, uma vez que é necessário confirmar todos os dados dos pais.
Acrescentou que o processo está actualmente na Conservatória dos Registos Centrais em Lisboa para ser ou não atribuída a nacionalidade portuguesa à criança.