Emigrantes em França preferem o carro ao avião nas deslocações para Portugal

Vilar Formoso, Guarda, 01 Ago (Lusa) -- Emigrantes em França hoje contactados pela Agência Lusa em Vilar Formoso adiantaram que preferem viajar de carro para Portugal do que optar pelo avião, alegando que, apesar de a viagem ser mais cansativa, "fica mais barata".

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Os portugueses residentes no estrangeiro que até domingo entrarem em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso, no diusyrito da Guarda, interior norte de Portugal, vão ser sensibilizados sobre segurança rodoviária pela associação de jovens luso-descendentes Cap Magellan, com sede em França.

A acção "Verão Seguro 2008", que é realizada desde 2003, decorre até domingo nas principais estradas que ligam França a Portugal, a partir de Paris, passando por várias cidades francesas, como Lyon, Nice e Bordéus, atravessando Espanha e as fronteiras de Vilar Formoso, Caminha e Vila Verde da Raia.

Os voluntários da associação estão a distribuir o Guia Prático de Verão 2008 (em português e francês) aos condutores, com indicações sobre os cuidados que devem ter na estrada, monumentos, restaurantes, concertos e festivais, disse à Agência Lusa Liliana Azevedo, representante em Portugal da associação Cap Magellan.

"Por um lado, pretendemos informar e, por outro, sensibilizar para evitar as tragédias nas estradas, porque muitas pessoas conduzem durante 15 ou 17 horas seguidas", referiu a responsável.

Liliana Azevedo admitiu que os emigrantes que se deslocam de carro para Portugal "o que querem é chegar rapidamente e, muitas vezes, vêm a uma velocidade desadequada".

"Há muitos acidentes todos os anos nas auto-estradas em Espanha e também na chegada a Portugal", lembrou.

Alguns emigrantes hoje contactados pela Lusa na fronteira de Vilar Formoso valorizaram a acção de sensibilização e asseguraram que conduzem "com cuidado", sublinhando que, apesar dos riscos que correm nas estradas, admitiram que viajar de carro para Portugal "é mais económico" do que fazer o trajecto de avião, por exemplo.

Jorge Rodrigues, 23 anos, natural de Cantanhede, chegou hoje a Portugal vindo de Paris, após percorrer cerca de 1.600 quilómetros.

"A viagem correu bem. Fui habituado a fazer a viagem de carro com os meus pais e agora é a minha vez", disse, admitindo que a deslocação é "cansativa", mas que não troca o carro pelo avião porque a viatura é necessária para fazer as viajens em Portugal.

José Pereira, 53 anos, que viajou de Paris com destino à Batalha, referiu que a viagem "foi de cinco estrelas".

"No Natal venho sempre de avião mas, em Agosto, opto pelo carro para poder andar por cá. Se alugasse um carro ficava mais caro", explicou.

Outro emigrante em França, Manuel Rodrigues, 61 anos, natural de Castelo Branco, não tenciona optar por outro meio de transporte.

"Estou em França há 39 anos e sempre vim de carro. De avião não podia ser porque ia para Lisboa e depois voltava para trás", apontou.

"Também não ficaria mais barato que o carro. Enchi lá o depósito [em França] e ainda tenho combustível para chegar a casa", contou.

Patrícia Costa, 26 anos, optou pelo carro para fazer a viagem entre Nimes (França) e Viseu, com o marido e um filho, assumindo que, na estrada, andam sempre devagar por causa do bebé.

"Já pensámos em vir de avião mas o problema é que tínhamos de alugar um carro para nos deslocarmos em Portugal e ficava mais caro", disse.

Já Frederico Leitão, 36 anos, natural de Fafe, a residir em Paris, viajou "pela primeira vez" de carro.

"Mudámos de carro este ano, Só que, desta vez, vim de carro porque costumava vir sempre de avião, porque é mais rápido, mais confortável e não chegamos cansados", salientou.

Liliana Azevedo, representante em Portugal da associação Cap Magellan, disse compreender a opção dos concidadãos que "optam por vir de carro por uma questão económica", considerando que as viagens de avião, que implicam o aluguer de carro, "saem mais caras".


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