Empregados do Degrau Chá nunca viram Carolina Salgado no restaurante
Gondomar, 22 Abr (Lusa) - Dois empregados do restaurante onde Carolina Salgado disse ter presenciado conversas entre Pinto da Costa, Pinto de Sousa e Valentim Loureiro, asseguraram hoje nunca ter visto a ex-companheira do presidente do FC Porto naquele estabelecimento de restauração.
"Nunca a vi lá, nunca a conheci. Conheço-o da televisão, não a conheço do restaurante", afirmou a cozinheira, também de sobrenome Salgado, garantindo que da cozinha se vê a zona onde os clientes fazem as refeições.
"Se espreitar da janela da cozinha, consegue-se ver a sala", sustentou hoje a funcionária, ao testemunhar no Tribunal de Gondomar, no âmbito do processo "Apito Dourado".
O próprio Valentim Loureiro "raramente ia ao restaurante, bem como Pinto de Sousa", acrescentou a funcionária.
Ao contrário, Pinto da Costa foi descrito pela cozinheira como cliente "assíduo", procurando o estabelecimento muitas vezes com a mulher, Filomena, e com a filha.
"Nunca com Carolina Salgado", assegurou.
A funcionária garantiu ainda "nunca ter assistido a uma refeição com a presença simultânea, à mesma mesa, de Pinto da Costa, Pinto de Sousa e Valentim Loureiro".
Um outro funcionário do restaurante também testemunhou hoje "nunca ter visto" Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa, simultaneamente no estabelecimento.
A presença dos empregados do restaurante Degrau Chá foi requerida na sequência das acusações de Carolina Salgado, segundo as quais Valentim Loureiro, Pinto da Costa e Pinto de Sousa se reuniriam no estabelecimento para alegadamente combinarem os árbitros para jogos do Gondomar SC.
Na versão de Carolina Salgado, as conversas decorreriam no restaurante que pertence à família de Valentim Loureiro, um dos 24 arguidos no processo "Apito Dourado" de Gondomar.
Pinto da Costa serviria, alegadamente, de intermediário entre Valentim Loureiro e Pinto de Sousa.
Um outro empregado, este de mesa, do restaurante não trabalhava no estabelecimento à data dos factos, pelo que o seu testemunho foi dispensado.
O processo "Apito Dourado", que incluiu investigações a alegados casos de corrupção e tráfico de influências no futebol profissional português, foi desencadeado há quatro anos com a detenção para interrogatório de vários dirigentes e árbitros de futebol.
No caso de Gondomar, 24 arguidos são suspeitos de fazerem parte de um esquema para induzir os árbitros a beneficiar o clube local, na época 2003/2004, que aspirava a subir à II Liga profissional de futebol.
O julgamento prossegue quinta-feira.
JAM.