Empresa que gere o SIRESP quer apostar na formação dos utilizadores do sistema
A empresa que gere o SIRESP quer apostar no reforço da formação dos operacionais que utilizam o sistema, como bombeiros, profissionais do INEM ou polícias, para que consigam responder mais eficazmente caso ocorra uma falha na cobertura da rede.
Em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que tomou posse em maio, o presidente da empresa responsável pelas comunicações de emergência do Estado, SIRESP SA, apontou o retomar da formação como umas das suas principais preocupações.
"Esta rede carece de grande conhecimento por parte dos utilizadores para a sua plena utilização", disse o tenente-general Paulo Viegas Nunes, que regressou à liderança da SIRESP SA em maio depois de ter estado na empresa entre 2022 e 2024.
Viegas Nunes lamentou que "muitos dos projetos que tinham sido lançados naquela altura ainda não estavam concretizados", precisando que encontrou a empresa "um pouco parada", nomeadamente no que toca à formação dos utilizadores da rede.
Para o responsável, a formação dos utilizadores é "um dos pontos fundamentais" para terem capacidade para resolverem uma determinada situação quando não há uma cobertura de rede.
Explicou que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) tem uma cobertura à volta de 99% no país, mas há locais que estão em vales profundos ou escarpas, em que a rede não tem capacidade de chegar a essas regiões.
Nestas situações, que existem normalmente no combate aos incêndios, é enviado uma estação móvel do SIRESP.
"Durante o período em que não há essa cobertura, tudo reside na capacidade dos utilizadores de saberem aproveitar a rede", disse, afirmando que "a formação dos utilizadores é determinante. Nem que seja para temporariamente resolver qualquer problema neste contexto específico".
O presidente da SIRESP SA sustentou igualmente que se todos os utilizadores tivessem formação conseguiam arranjar soluções, tendo em conta que existem "soluções na rede para fazer chegar comunicações nestas circunstâncias".
Viegas Nunes avançou que a empresa quer desenvolver um outro projeto para que passe a existir em cada corporação de bombeiros ou em cada núcleo de utilizadores, como INEM, PSP, GNR, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e Instituto Conservação da Nuteza e Florestas (ICNF), um elemento que "consiga estar permanentemente atualizado" e até dar formação.
"Garantir que, no momento em que é necessário, está alguém na corporação, no caso concreto, que é mais visado normalmente nos incêndios, ou no INEM, ou no ICNF, na Proteção Civil, na GNR, na PSP, que consiga refrescar rapidamente os conceitos e, de facto, promover uma utilização mais eficiente da rede", salientou.
Viegas Nunes indicou que este projeto está pensado, mas vai demorar algum tempo a implementar, não existindo para já uma previsão para sua concretização.
Este ano, entre julho e agosto, 400 operacionais das regiões afetadas pelas tempestades do início do ano receberam formação sobre a operação e a gestão da rede de comunicações de emergência.
A SIRESP SA vai retomar em novembro a iniciativa `bootcamp`, evento prático projetado para desenvolver competências, testar tecnologias e validar os procedimentos operacionais das equipas que dependem do SIRESP, depois de já se terem realizado em 2022 e 2023.
"Esta iniciativa normalmente tem dois dias dedicados só à formação. O nosso foco é ir para uma região e transformar estruturalmente a região. Produzindo soluções adaptadas à região", disse, indicando que o `bootcamp` vai decorrer no norte do país e haverá ainda um terceiro dia com um seminário.
Viegas Nunes afirmou que o cenário trabalhado no seminário é aquele em que a SIRESP SA considera "que aquela região está mais exposta".
O responsável disse ainda que quando chegou à empresa existiam outros "projetos estruturantes" que ainda não estavam concretizados, como a relocalização dos computadores centrais e a redundância da rede.
A rede SIRESP é a rede de comunicações exclusiva do Estado português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança, responde às necessidades dos mais de 40.000 utilizadores e suporta anualmente um número superior a 35 milhões de chamadas.
Atualmente o SIRESP serve 234 entidades.