Empresário "globetrotter" abriu portas e fronteiras com a camisola de Figo

Um empresário de Viana do Castelo, que já visitou 69 países, encontrou em Luís Figo um oportuno "cartão de visitas" sobretudo no mundo árabe, onde já se desenvencilhou de algumas situações delicadas graças ao prestígio do futebolista.

Agência LUSA /

"O Luís Figo é muito conhecido, admirado e respeitado em quase todos os países árabes e, não fosse ele tão conhecido, não sei o que já me poderia ter a contecido", reconheceu à Lusa aquele empresário de madeiras.

Manuel Araújo tem 56 anos de idade, reside em Santa Marta de Portuzelo, concelho de Viana do Castelo e, de vez em quando, pega na mochila e parte à descoberta de mais um qualquer país.

O percurso é sempre escolhido depois de um exaustivo trabalho de pesquisa na Internet e em livros/roteiros que vai coleccionado.

Um dos "adereços" obrigatórios na mochila de Manuel Araújo é uma camisola da selecção nacional com o nome de Figo nas costas, que já lhe tem aberto muitas portas e socorrido em algumas situações de bastante aperto.

O empresário recorda que foi "à custa de Figo" que, por exemplo, conseguiu ultrapassar com toda a facilidade a fronteira do Butão onde, "em condições normais", teria estado mais de um dia à espera de autorização, e que teve oportunidade de entrar num dos mais luxuosos hotéis do Dubai.

Na Líbia, foi também graças ao prestígio do internacional português, ac tualmente ao serviço do Inter de Milão, que ultrapassou uma situação de extrema delicadeza por ter fotografado o Banco Central.

"Rodearam-me, detiveram-me e pensei que nunca mais voltava para Portuga l. Fui arranhando umas desculpas em inglês enquanto mostrava a camisola do Figo e mais uma vez consegui sair daquela situação", recorda.

Manuel Araújo reconhece que conta também com a protecção de Santa Bárba ra, cuja imagem é outro dos adereços indispensáveis na sua mochila de viagem.

A vontade de descobrir novos povos e diferentes culturas é o que verdad eiramente faz correr este autêntico "globetroter", cujos próximos "alvos" são a Nova Zelândia, o Peru e o Equador.

"Não vou pelo passeio ou pelo lazer, mas para conviver, conhecer novos povos, novas culturas e novos mundos. Gosto de me misturar com as pessoas dos pa íses que visito e viver o seu dia-a-dia para perceber a realidade dos diferentes pontos do planeta", afirma.

Quase sempre vai sozinho, como aconteceu na sua última "grande aventura ", em 2006, que o levou até ao sopé do segundo pico mais alto do mundo, o K2, no s Himalaias, tendo passa por vários países, designadamente China, Índia, Paquist ão, Tajiquistão e Usbequistão.

"Deixei a bandeira de Portugal e o estandarte de Santa Marta de Portuze lo no sopé do K2, a cerca de 8000 metros de altitude", recorda Manuel "Cantamba" , alcunha por que é conhecido na sua freguesia.

Especial fascínio confessa Manuel Araújo ter pelo mundo árabe, apesar d e alguns "sustos" que por lá apanhou, como, por exemplo, o momento em que decidi u fotografar uma adolescente no Afeganistão e se viu imediatamente rodeado por p opulares, que o detiveram até à chegada do irmão da jovem, a que deu 100 rupias e apresentou desculpas.

Manuel Araújo tem funcionado como um autêntico embaixador da sua fregue sia e do concelho de Viana do Castelo, pois para onde vai leva sempre consigo ma terial promocional da região, desde artesanato a livros, que faz questão de dist ribuir junto das instituições mais influentes dos países que visita.

Foi assim, por exemplo, que apadrinhou a geminação da cidade sueca de J okkmokk com Santa Marta de Portuzelo, só não levando à prática uma cooperação co m vista à produção em Portugal de hambúrgueres de carne de rena por "razões logí sticas".

Em cada país que visita, Manuel Cantamba faz amigos, que, volta e meia, acolhe em sua casa.

"Já cá estiveram pessoas praticamente de todos os países que visitei", assegura, dando conta que entre as 69 nações que já visitou figuram o Afeganistã o, Bangladesh, Burkina Faso, Sri Lanka, Nepal, Jordânia, Butão, Índia, China, Ca mboja, Mongólia, Irão, Israel, Lapónia, Síria, Etiópia e Bangladesh.

Os que mais o marcaram, pela sua cultura, pelos seus monumentos e pelos seus povos, foram o Afeganistão e a Índia, mas foi no Bangladesh onde afirma qu e encontrou a gente mais aberta, mais calma e mais acolhedora.

"Ali, a polícia até manda parar o trânsito de uma das mais movimentadas avenidas para deixar passar o turista", conta.

Em muitas das suas viagens, Manuel Cantamba contou com a companhia da m ulher, Helena Esteves, de 55 anos, que recorda particularmente as deslocações ao Bangladesh e à Líbia, embora por razões diferentes.

"No Bangladesh vi muita pobreza e passei quase 30 dias a comer bananas" , recorda Helena Esteves, que diz ter ainda bem gravada na memória a imagem de d ezenas e dezenas de crianças à sua volta a pedir comida.

Na Líbia, e apesar do susto que apanhou depois de o marido ter fotograf ado o Banco Central, Helena apreciou particularmente a hospitalidade e a disponi bilidade das pessoas do povo para os ajudar depois de terem perdido "a carteira e os cartões".

Se as próximas metas do "Cantamba" são a Nova Zelândia, o Peru e o Equa dor, as de Helena Esteves são a China e a Etiópia, já que, por razões pessoais e familiares, não teve oportunidade de ali acompanhar o marido.

"Vamos ver o que a vida nos proporciona", diz Manuel Araújo, lembrando que, só para a sua viagem à Nova Zelândia, serão necessários entre 2000 a 2500 e uros.

Entretanto, o casal não se cansa de viajar pela Internet e pelas página s dos muitos livros/roteiros lá de casa, sempre à procura de um novo destino.

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