Empresas de distribuição satisfeitas com venda livre de medicamentos
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) manifestou-se satisfeita com a intenção do governo de retirar às farmácias a venda exclusiva de medicamentos sem receita médica e realça que a segurança da saúde pública não está em causa.
Em declarações à agência Lusa, o director-geral da APED, António Rousseau, manifestou também a surpresa da associação com o anúncio feito hoje pelo novo primeiro-ministro.
"Não esperávamos. Há muitos anos que chamamos a atenção para este canal de venda que já existe em muitos países da Europa, como Suécia, Noruega, Finlândia e Alemanha e onde nunca se verificaram problemas de segurança para a saúde pública", salientou o responsável.
Para a APED, não se justifica a existência de um canal fechado de venda dos produtos farmacêuticos, já que actualmente são produzidos e embalados nas próprias fábricas, contrariamente ao que se verificava há uns anos quando eram fabricados nas farmácias.
"Vendê-los nas farmácias ou nos supermercados é a mesma coisa", defende António Rousseau, acrescentando que a venda nos supermercados deve ser sempre assistida por um farmacêutico.
Além de que, diz a APED, "não é possível negar a importância desta medida na descida dos preços dos medicamentos, porque havendo mais concorrência, o consumidor pode pagar menos".
António Rousseau lembra ainda um referendo realizado recentemente pela Ordem dos Médicos do Norte, onde "70 por cento dos médicos se pronunciaram a favor da venda livre dos medicamentos sem prescrição médica".
A medida anunciada hoje pelo primeiro-ministro, José Sócrates, suscitou já reacções de apoio, por exemplo, da Ordem dos Médicos e da associação de consumidores DECO, e de repúdio da parte da Ordem dos Farmacêuticos e da Associação Nacional de Farmácias.