Empresas de transportes poupam se optarem por gás natural
Uma empresa de transportes com 100 autocarros pode poupar mais de um milhão de euros num ano se os veículos usarem gás natural em vez de gasóleo, indica um estudo hoje apresentado em Lisboa.
A Direcção-Geral de Transportes Terrestres e o Instituto Superior Técnico estão a comparar desde Maio do ano passado o consumo e as emissões poluentes de autocarros a gás natural e a diesel da frota da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), um projecto que deverá estar concluído no próximo mês.
A STCP foi seleccionada para este projecto por ter já um terço da sua frota a gás natural.
Supondo que uma empresa comprava 100 novos autocarros a gás natural e outra a mesma quantidade de veículos a gasóleo, a primeira conseguiria poupar 1.150.000 euros num ano.
"Isto mesmo assumindo que gastava mais dois milhões na aquisição da frota a gás natural", precisou Tiago Farias, investigador do Instituto Superior Técnico, durante a apresentação de resultados, uma sessão a que assistiu o secretário de Estado dos Transportes, Jorge Borrego.
Apesar de a frota a diesel consumir menos três por cento de energia, o gás natural custa cerca de 70 por cento menos do que o gasóleo, de acordo com a informação da página da Internet da Associação Portuguesa de Veículos a Gás Natural.
Além da poupança económica, os veículos a gás natural mostraram uma grande vantagem na redução de emissões poluentes.
Da monitorização feita à frota da STCP concluiu-se que os autocarros a gás natural emitem menos 16 por cento de dióxido de carbono, menos 22 por cento de hidrocarbonetos, menos 88 por cento de monóxido de carbono e menos 99 por cento de óxido de azoto.
A Direcção-Geral de Transportes Terrestres e o Instituto Superior Técnico (IST) estão ainda a desenvolver outros dois projectos, um com a Rodoviária de Lisboa e outro com a Vimeca (empresa de autocarros que circula pelam periferia norte e ocidental de Lisboa).
No caso da Vimeca está a ser testado um equipamento, designado "supertech", que pode melhorar a queima de combustível.
Trata-se um cilindro de metal perfurado que se coloca no depósito do autocarro e que, segundo os fornecedores desta tecnologia, pode reduzir o consumo de combustível entre cinco a dez por cento.
Em relação a este projecto, ainda não há resultados que possam mostrar se o decréscimo do consumo se vai ou não verificar, segundo Tiago Farias, do IST.
No caso da Rodoviária de Lisboa está a ser lançado um estudo de gestão integrada das frotas que permita melhorar a qualidade do serviço, a eficiência energética e o desempenho ambiental.