Enganou-se quem proclamou o fim da História - Fernando Rosas
Lisboa, 14 Nov (Lusa) - Fernando Rosas, director do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova, abriu hoje o Congresso Internacional Karl Marx com críticas ao liberalismo, dizendo que se enganou quem proclamou o fim da História e o triunfo do capitalismo.
Perante um auditório cheio na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa, as primeiras palavras do dirigente do Bloco de Esquerda foram de ataque às filosofias mais em voga na década de 90, sobretudo no panorama da ciência política anglo-saxónica.
Numa referência às teorias de Francis Fukuyama (norte-americano de origem japonesa) e de Friedrich Von Hayek (escola austríaca), o historiador e dirigente do Bloco de Esquerda considerou que se "enganaram os filósofos que proclamaram o fim da História e que nos garantiram um império neoliberal por mil anos".
"O regresso de Karl Marx como corpo teórico é actualmente incontornável para ler e interrogar a crise do capitalismo deste início do século XXI", contrapôs Fernando Rosas.
Até domingo, o Congresso Internacional Karl Marx juntará mais de 150 especialistas de diversas áreas científicas.
Promovido pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, pela Cooperativa Cultura do Trabalho e Socialismo (Cutra) e pela "Transform" (rede internacional de associações culturais), o congresso pretende assinalar os 150 anos dos "Grundrisse", Elementos fundamentais para a crítica da economia política - primeiro manuscrito (completado em 1858) de Karl Marx, que no século XIX revolucionou as concepções económico-políticas e de filosofia da História.
Numa plateia em que prevaleciam jovens e elementos próximos do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas prestou homenagem a João Martins Pereira, economista e militante do Bloco, que hoje faleceu.
Na sua intervenção, Fernando Rosas sublinhou que o Congresso Internacional Karl Marx "será o maior fórum do género jamais realizado em Portugal".
O historiador referiu depois que o Instituto de História Contemporânea recebeu uma "autêntica avalanche de comunicações", cerca de 200, das quais foi forçado a seleccionar 150.
Comunicações que disse terem vindo de países como o Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, Reino Unido, entre outros países.
"Este congresso, marcado antes da eclosão da crise económica e financeira, foi ampliado de dois para três dias, e houve necessidade de constituir 48 painéis temáticos", salientou ainda o professor universitário.
Outra ideia central da intervenção do dirigente do Bloco de Esquerda foi sublinhar a preocupação com a existência de pluralismo ao longo dos três dias de análise à filosófica marxista.
"Não teremos preocupações de tirar conclusões. Trata-se antes de um debate fundador de muitos outros debates que se hão-de seguir", advertiu