Ensino Superior. Ministro da Educação admite "estudar" contingente destinado a alunos mais desfavorecidos

Ensino Superior. Ministro da Educação admite "estudar" contingente destinado a alunos mais desfavorecidos

O ministro da Educação reconheceu a existência de desigualdades e promete "estudar" a possibilidade de aumentar vagas para os alunos com dificuldades financeiras.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Inês Moreira Santos - RTP

O número de camas disponíveis nas residências universitárias do país "vai mais do que duplicar" neste ano letivo, anunciou o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, em entrevista ao Jornal da Tarde da RTP. 

O reforço resulta de investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que foram iniciados durante o Governo de António Costa e que tiveram a continuação na governação de Luís Montenegro.
"Quando nós temos a duplicação do número de camas" e, em simultâneo, "um apoio à deslocação que corresponde ao custo estimado do alojamento", estão a ser criadas condições para que "ninguém deixe de frequentar o ensino superior por razões económicas", fez questão de referir.

Durante a entrevista, o governante garantiu que os apoios concedidos acompanham a evolução dos preços do mercado. 

Fernando Alexandre fez questão de salientar que para os estudantes que não consigam lugar numa residência universitária, o apoio ao alojamento privado será de 500 euros em Lisboa e 450 euros no Porto


Alunos mais pobres nas universidades representam 3%
Fernande Alexandre reconheceu, também, a existência de desigualdades "muito sérias" no acesso ao ensino superior. E por isso, a reforma profunda feita na ação social escolar foi com o propósito de abranger o maior número de alunos com carências económicas

Entre os alunos que beneficiam de apoio social no secundário, 48% chegam ao ensino superior, contra 57% entre os que não beneficiam desse apoio. 

Fernando Alexandre quer ir mais longe. "Não é só no secundário, temos de ir também ao pré-escolar, temos de melhor todo o percurso escolar dos alunos garantindo igualdade de oportunidades", fez questão de referir.

Este ano, 1625 alunos carenciados foram entraram na universidade. Questionado sobre a possibilidade de aumentar o contigente previsto para os alunos mais desfavorecidos, o ministro referiu: "temos de estudar".
Mudança de regras fazem aumentar número de colocados

Este ano, as regras de acesso ao ensino superior sofreram alterações. A principal mudança passou por ser apenas necessária uma prova mínima de ingresso. 

E as reformas acabaram por ter reflexos no número de colocados. Na 1.ª fase, foram colocados 49991 alunos, o que representa um número mais alto dos últimos cinco anos. 

Segundo o ministro, devido a essa exigência, cerca de três mil estudantes ficaram impedidos de ingressar no ensino superior no ano passado, mas "puderam ingressar este ano”.

Fernando Alexandre também falou sobre o processo de correção dos exames nacionais. O ministro reconheceu falhas na primeira fase. "Foi um processo que não começou bem", admitiu. "Teve um conjunto de erros", acrescentou, referindo-se a problema com as folhas de prova e as impressões.

Já na segunda fase, "os problemas que detetámos corrigimos”, e, "decorreu sem qualquer problema". 

O ministro defendeu, por isso, a continuidade da digitalização do sistema educativo, e reconheceu que "há muitos que querem que as coisas não mudem até porque esta transparência que a digitalização traz os incomoda", frisou. 

"Não podemos deixar de mudar o país, simplesmente porque algo não corre bem à primeira", afirmou.

Por fim, Fernando Alexandre garantiu ainda que está disponível para continuar a prestar esclarecimentos adicionais no Parlamento. "Eu fui todas as semanas ao Parlamento e voltarei lá as vezes que forem necessárias", afirmou.
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