Ensino tecnológico da Fonseca Benevides tem de ser garantido - PCP
O secretário-geral do PCP exigiu hoje ao Governo medidas que garantam a continuidade do ensino tecnológico na Escola Secundária Fonseca Benevides, em Lisboa, que pode ficar ameaçado se esta se fundir com a D.João de Castro.
Jerónimo de Sousa ouviu durante hora e meia, num encontro que decorreu à porta fechada, as preocupações da comunidade educativa sobre os eventuais danos que poderá causar a anunciada fusão da Fonseca Benevides com a Escola Secundária D.João de Castro.
Os representantes da Associação de Pais falaram a Jerónimo de Sousa das especificidades, da diversidade e do projecto educativo da escola e da dificuldade de uma fusão com uma escola que tem um projecto educativo completamente diferente.
No passado dia 11 de Fevereiro, numa reunião entre elementos da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), do conselho executivo da Escola Secundária D.João de Castro, da Junta de Freguesia de Alcântara e de representantes dos professores, pais e alunos foram informados da decisão de encerrar aquele estabelecimento de ensino.
Em declarações à agência Lusa, no final do encontro o líder do PCP mostrou-se apreensivo com esta medida, principalmente numa altura "em que se fala tanto em choque tecnológico e qualificação profissional".
"Estamos preocupados porque o Governo pode apressadamente e de uma forma avulsa não ter em conta a realidade daquela escola que é ímpar, e creio que única, no plano do ensino tecnológico", salientou.
Para o secretário-geral do PCP, é necessário haver "muita serenidade, envolvimento, diálogo e medidas que salvaguardem o ensino da Fonseca Benevides, que é da origem da escola industrial".
Jerónimo de Sousa considera que tem havido "um défice de diálogo e de envolvimento" em todo este processo entre as comunidades educativas e o Governo, que deve "reconsiderar e discutir" com os interessados no sentido de encontrarem a melhor solução para a escola.
Helena Dias, da Associação de Pais da Escola Secundária Fonseca Benevides, adiantou, por seu turno, à Lusa que a comunidade educativa "vê com muito receio" a fusão entre as duas escolas.
"São razões pedagógicas que nos movem e que nos levam a levantar dúvidas em relação a esta fusão", afirmou Helena Dias.
Segundo a encarregada de educação, os projectos educativos das duas escolas são "completamente diferentes" e foi isso que a Associação de Pais quis demonstrar a Jerónimo de Sousa.
"Depois de conhecer o projecto educativo da escola, o PCP está mais habilitado a perceber as dificuldades da fusão anunciada e a especificidade do projecto educativo da escola", sublinhou.
Helena Dias salientou ainda que a escola não tem capacidade física para acolher os alunos da Escola Secundária D.João de Castro.
A encarregada de educação desmentiu assim algumas notícias que têm vindo a público que os alunos teriam de ir para a rua nos intervalos por falta de espaço.
"Isto é uma posição que nós consideramos graves a até atentatória do bom nome da escola", frisou.