Entroncamento quer esclarecimento sobre saída oficinas CP
A Assembleia Municipal do Entroncamento exige, numa moção a que a Lusa teve hoje acesso, um "esclarecimento público e cabal" sobre a eventual transferência das oficinas da CP para as instalações da ex-Bombardier, na Amadora.
Numa moção proposta pelo Bloco de Esquerda e aprovada sexta-feira à noite com a abstenção do PS, a Assembleia Municipal associa-se ao executivo camarário (PSD) numa unânime e "inequívoca oposição a qualquer propósito de deslocalização das oficinas ferroviárias para a Amadora ou para qualquer outro lado".
O Público noticiou em meados de Março que a CP pretende transferir para a zona da Bombardier todas as suas oficinas, instaladas actualmente no Entroncamento, Santa Apolónia (Lisboa), Campolide, Oeiras e Barreiro, um processo que poderá demorar cinco anos e custar cerca de 25 milhões de euros.
Agora, a Assembleia Municipal do Entroncamento lembra que a notícia da deslocalização da Empresa de Manutenção do Equipamento Ferroviário (EMEF) ainda não foi "desmentida cabalmente" e manifesta preocupações com os efeitos de tal medida no tecido produtivo do concelho e em muitas famílias da cidade.
A moção recorda que, a "ir por diante, a deslocalização da actividade dos 700 ferroviários da EMEF constituiria um rude golpe na economia local, um atentado contra uma marca identitária do concelho e uma ameaça para a vida de centenas de famílias".
A assembleia municipal reitera por isso "a necessidade de um esclarecimento público e cabal por parte das entidades envolvidas neste processo".
Manifesta ainda a sua solidariedade para com os ferroviários e suas famílias, "bem como com as acções que estes legitimamente resolvam desencadear, em oposição a uma eventual extinção ou alteração dos seus postos de trabalho".
Quando começaram a circular notícias sobre a intenção de concentração de todas as oficinas ferroviárias nas instalações da ex-Bombardier, a Câmara Municipal do Entroncamento pediu esclarecimentos "às diversas entidades envolvidas", mas esse pedido "até hoje não mereceu resposta", sublinha o texto da moção.
O texto recorda ainda as diligências desencadeadas pelos sindicatos ferroviários, no sentido de serem esclarecidos e opondo-se também ao encerramento das oficinas.
"Entretanto, soube-se que, no âmbito do chamado +negócio Bombardier+, pelo menos um membro do actual Governo visitou as oficinas do Entroncamento, sem que daí tenha resultado um melhor conhecimento dos contornos da operação que - também se sabe - continua em curso", afirma a moção.