Enunciado contribuiu para maus resultados, dizem docentes de Matemática

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o enunciado do exame nacional do 9º ano à disciplina contribuiu para os maus resultados dos alunos, por ter um grau de abstracção elevado e fazer exigências "dispensáveis".

Agência LUSA /

Segundo dados divulgados segunda-feira pelo Ministério da Educação, mais de dois terços dos 84.980 alunos do 9º ano sujeitos a exame reprovaram na prova de Matemática que a APM classifica de "exigente".

Num parecer sobre o enunciado do exame, a associação refere que "a maior parte das questões exige um trabalho elaborado de interpretação e análise das situações propostas, com algumas exigências que neste nível de ensino seriam dispensáveis".

Os professores de Matemática consideram, por exemplo, que a última questão da prova "exige um grau de abstracção e formalização muito superior ao normalmente trabalhado no 9ºano".

"Pensamos que uma parte dos resultados se deve à prova em si, que exigia um grau de formalização elevado e tinha critérios de correcção demasiado restritivos, além de alguns aspectos que podem ser demasiado exigentes", disse à agência Lusa Manuela Pires, da direcção da associação.

Para a APM, o enunciado do exame pressupõe que os estudantes tenham aprendido todo o programa da disciplina, "o que no presente ano lectivo não foi fácil", uma vez que as aulas começaram com um atraso de cerca de um mês em relação ao previsto, devido aos erros detectados no concurso nacional de colocação de professores para 2004/2005.

A Associação de Professores de Matemática defende, aliás, que o programa da disciplina no 3º ciclo do ensino básico, elaborado há quinze anos, devia ser revisto por ser demasiado extenso e não permitir um aprofundamento das matérias.

"Para dar todo o programa, às vezes não há tempo para aprofundar alguns aspectos", explicou à Lusa Manuela Pires, admitindo que este ano "pode ter havido alguma pressa em cumprir os conteúdos" devido ao exame nacional, realizado pela primeira vez.

Os exames nacionais de Língua Portuguesa e Matemática, cujos resultados foram divulgados segunda-feira, valem 25 por cento da classificação final dos estudantes e são obrigatórios para a conclusão do ensino básico, substituindo as provas de aferição, que serviam para avaliar conhecimentos mas não contavam para a nota.

No exame de Matemática, sete em cada dez alunos tiveram negativa e mais de um quinto dos estudantes obtiveram apenas um valor, a nota mais baixa da escala (de um a cinco).

Os maus resultados dos alunos a Matemática não constituem uma surpresa, já que no passado ano lectivo mais de metade das respostas dos estudantes nas provas de aferição do 9º ano estavam erradas ou em branco.

"Se os resultados das provas de aferição revelaram que havia problemas, deviam ter sido tomadas medidas", conclui a responsável da Associação de Professores de Matemática, que sempre contestou a realização dos exames nacionais este ano.

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