Época atípica provoca prejuízos na praia da Figueira da Foz e afasta turistas

O vento forte e o tempo instável que se tem sentido no mês de Agosto na praia da Figueira da Foz são responsáveis por prejuízos nos toldos de aluguer e na redução de turistas, dizem os concessionários.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Os mais antigos, com cerca de 40 anos de negócio de aluguer de apoios de praia, afirmam mesmo nunca ter presenciado um Verão tão fraco para o negócio, enquanto apontam para dezenas de chapéus partidos e toldos rasgados pelo vento dos últimos dias.

"Quando pára a chuva vem o vento. Estou aqui há 40 anos e nunca vi um Verão assim, é um ano atípico" disse à agência Lusa Manuel Rocha, cuja mulher possui uma concessão na praia do Relógio.

O senhor Manuel dorme na praia, num anexo aos toldos que aluga diariamente e afirma chegar a ter medo da violência do vento.

"De noite chego a ter medo de dormir aqui. E de dia é um pandemónio, a areia batida pelo vento e os clientes que não conseguem abrir os chapéus", lamenta.

Manual Rocha frisa que em tempos, "quando as pessoas tinham confiança" nas condições climatéricas "de manhã esperavam nevoeiro, depois o sol abria e à tarde havia algum vento".

"Agora é vento de manhã à noite e o tempo frio que afasta os clientes. Há quem reserve 15 dias e depois não apareça", diz, enquanto estima um redução de 50 a 60 por cento, nas três primeiras semanas de Agosto, nos alugueres dos 160 toldos que possui.

Umas centenas de metros para norte, frente à piscina oceânica, Maria da Conceição Costa aluga toldos há 37 anos.

A exemplo de Manuel Rocha aponta os prejuízos no negócio causados pela mau tempo, "mais de 50 chapéus partidos" dos 140 que possui, toldos rasgados, "uma destruição completa".

"E não há ninguém que nos ajude, o que está roto e estragado vai para o lixo. Em 37 anos não me lembro de uma época assim, o lucro este ano é zero, 2007 é para esquecer", sustenta.

Mas, segundo os concessionários, não é só o mau tempo que afasta turistas da praia: "A praia da Figueira está morta", diz Manuel Rocha. "Está de rastos", atalha Conceição Costa, um e outro criticando a "falta de investimento" nas passadeiras e outros equipamentos do areal, por parte das autoridades competentes.

João Rodrigues gere o restaurante "Tubarão", uma das casas emblemáticas da marginal fronteira à praia e comunga dos lamentos dos concessionários das praias.

"Sol é dinheiro. Mas com este tempo as pessoas não saem de casa, abro [o restaurante] com frio e com frio fecho" diz.

Embora admita que aos fins de semana "quando o tempo está bom", os clientes aparecem, sublinha que os turistas já não se fixam na cidade, antes aproveitam as acessibilidades melhoradas para uma ida à praia e um regresso a casa no mesmo dia.

Constatação idêntica faz o empresário Mário Esteves, vice-presidente da Associação de Hotelaria e Restauração do Centro.

"O tempo não tem ajudado, Julho foi muito mau e Agosto também está a ser. Mas o problema é mais profundo, não é só por causa do [mau] tempo que estamos assim", argumenta.

Defende iniciativas que captem as pessoas para a Figueira "durante todo o ano, condições para que se fixem cá e se deixem deste vai e vem em estradas boas",sustenta.

Mário Esteves lembra que há 30 ou 40 anos a época turística na Figueira se estendia de Maio a Outubro.

"Depois passou a ser de Junho a Setembro, agora estamos limitados a Agosto. Só o sol e a praia não cativam as pessoas, é necessário apostar em animação - dá o exemplo de touradas em Julho e Setembro, actualmente limitadas a Agosto - em preços que cativem e na qualidade do serviço", afirma.

PUB