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EPUL nega acusações de PND sobre venda de terrenos em Espanha

EPUL nega acusações de PND sobre venda de terrenos em Espanha

O presidente da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) esclareceu que a empresa participa em salões imobiliários internacionais a nível institucional e não para vender terrenos, contrariando declarações do candidato do PND à autarquia.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O esclarecimento do responsável da EPUL, João Teixeira, surge na sequência de uma entrevista quarta-feira à TSF do candidato do Partido Nova Democracia (PND) à Câmara de Lisboa, Manuel Monteiro, em que afirmava que a empresa participou há dois anos numa feira internacional em Espanha para tentar vender terrenos em Lisboa destinados à habitação social.

Manuel Monteiro adiantou que a denúncia foi feita durante uma reunião que teve com a Associação dos Industriais da Construção de Edifícios (AICE).

Contactado pela agência Lusa, o presidente da EPUL adiantou hoje que a empresa participa em feiras internacionais sempre que é convidado pela Câmara Municipal de Lisboa, a única accionista da empresa, para promover a cidade.

"A participação da empresa é de natureza institucional, não para vender terrenos, mas sim para mostrar o trabalho passado, presente e futuro da empresa", sublinhou João Teixeira, ressalvando que a EPUL não faz declarações sobre os comentários dos candidatos à Câmara de Lisboa e apenas esclarece esta situação que diz respeito à empresa.

"Todas as pessoas que vão a salões internacionais sabem que há `stands` institucionais que não se destinam à venda de terreno, mas para promover Lisboa no âmbito da competitividade internacional entre cidades", acrescentou.

João Teixeira lembrou que é presidente da EPUL desde o início de 2006, mas afirma que a empresa não tem vendido qualquer tipo de terrenos em Espanha.

Confrontado pela Lusa sobre o esclarecimento de João Teixeira, Manuel Monteiro disse que mantinha tudo o que disse à TSF, nomeadamente que a "EPUL está a fazer concorrência desleal" com os industriais da construção portugueses.

"Não tenho motivos para duvidar da informação que tive da Associação dos Industriais da Construção de Edifícios (AICE)", sublinhou o candidato do PND.

Em declarações à TSF, a presidente da Associação dos Industriais da Construção de Edifícios, Maria Teresa Ramos Pinto, contou que a EPUL esteve num salão imobiliário há dois anos e concluiu que pretendesse vender terrenos em Espanha.

"Há dois anos tivemos oportunidade de ver que estava lá a Câmara Municipal de Lisboa com uma maquete lindíssima e um `stand` da EPUL com várias maquetes dos terrenos do Vale de Santo António e foi isso que eu disse ao Dr. Manuel Monteiro", adiantou.

Questionada por Manuel Monteiro se os terrenos eram para vender em Espanha, Maria Teresa Ramos explicou-lhe que "se uma entidade leva um produto a uma feira para o mostrar com certeza era na tentativa de o vender".

"Se uma empresa de urbanização vai promover empreendimentos no estrangeiro é para chamar investidores estrangeiros", sublinhou Manuel Monteiro à Lusa.

O candidato pergunta ainda à EPUL "se é verdade ou mentira que os antigos terrenos do Benfica foram promovidos pela EPUL primeiro em Barcelona, depois em Cannes e só por último em Portugal".

"É concorrência desleal com os construtores portugueses promover primeiro no exterior, pondo em causa a sua capacidade de resposta", frisou.

Manuel Monteiro lamenta que estes assuntos não sejam levantados na pré-campanha para as eleições intercalares de Lisboa.

"Esta situação vem demonstrar que os candidatos andam a fazer campanha nas bordas do sistema e não no centro do sistema", comentou, acrescentando que "ninguém quer tocar nestes assunto porque quase todos os partidos querem colocar alguém nas empresas municipais".

A EPUL foi fundada em 1971 por iniciativa da Câmara de Lisboa com o objectivo de auxiliar e desenvolver a acção da autarquia no estudo e execução de projectos urbanísticos.

Desde então, a Câmara Municipal de Lisboa tem sido o seu accionista único.

Nas últimas três décadas, a EPUL interveio em cerca de 200 hectares na cidade de Lisboa, tendo promovido mais de 8.000 fogos, destacando-se as áreas de intervenção de Telheiras, Restelo, Carnide, Martim Moniz e Vale de Santo António, sendo uma das maiores empresas urbanizadoras e de promoção imobiliária do país.


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