Equipa especial da Procuradoria-Geral da República investiga os crimes no Porto

O Procurador-Geral da República nomeou a Procuradora Maria Helena Fazenda para coordenar uma equipa especial encarregue da investigação de todos os inquéritos ligados aos últimos crimes da noite portuense.

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Maria Helena Fazenda terá sob sua direcção uma equipa de dez elementos, integrada por magistrados do MP, PJ, PSP e ASAE RTP

Preocupado com o aumento da violência no Porto e com a gravidade dos últimos crimes ocorridos na cidade, Pinto Monteiro decidiu nomear a Procuradora Maria Helena Fazenda para dirigir uma task force que vai coordenar a investigação de todos os inquéritos a correr no Porto ligados aos homicídios e “alta violência contra pessoas”.

Maria Helena Fazenda terá sob a sua direcção uma equipa de dez elementos, integrada por magistrados do Ministério Público, Polícia Judiciária, PSP e Alta Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Pode ler-se no despacho assinado pelo Procurador-Geral da República que compete à procuradora do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) "dirigir e coordenar a investigação dos inquéritos instaurados aos factos" relacionados com “episódios de alta violência contra pessoas” que tiveram lugar na Área Metropolitana do Porto nos últimos meses, “bem como quaisquer outros que com aqueles possam estar conexos, objectiva ou subjectivamente”.

Pinto Monteiro está preocupado com a gravidade dos crimes e com a qualidade e eficiência dos meios utilizados, que indiciam um elevado nível de preparação dos agentes executores e uma organização elaborada. Esse refinamento da organização e qualidade dos meios utilizados nos crimes a que se assistiu nos últimos meses justifica, segundo Pinto Monteiro, a decisão que agora toma.

“Tendo em consideração a complexidade das investigações, a repercussão social e a gravidade dos factos, considera-se adequado garantir a direcção concentrada dos inquéritos já pendentes e de outros com estes eventualmente conexos”, adianta o PGR. Pinto Monteiro retoma, em suma, o princípio que o levou a nomear a Procuradora Maria José Morgado para coordenar a investigação de todos os processos relacionados com a corrupção no desporto.

No domingo, um segurança foi morto a tiros de metralhadora na zona de Gaia, doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega. A vítima deste domingo era o segurança pessoal do proprietário da discoteca “Chic” Aurélio Palha, também ele abatido a tiro em finais de Agosto a partir de um carro em andamento.

Nos últimos seis meses, foram seis os homicídios violentos na região do Grande Porto relacionados com os negócios da noite.

Em Lisboa foi assassinado com uma bomba no carro o dono da discoteca “Avião” José Gonçalves, uma das testemunhas de acusação no caso “Passerelle”, em julgamento no Tribunal de Leiria.
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