Escândalo afastou maçons sem "valores nobres" e aumentou candidatos grão-mestre do GOL

Lisboa, 27 jan (Lusa) -- O grão-mestre do GOL diz que maçons que não seguiam "os nobres valores da maçonaria" deixaram a instituição "por sua auto recriação", após o escândalo sobre uma alegada rede de interesses, e ao mesmo tempo aumentaram os candidatos.

Lusa /

Em entrevista à agência Lusa, Fernando Lima, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), não enjeitou a existência de "um ou outro escândalo" envolvendo a maçonaria, mas lamenta que seja esta "exceção" que influencie a classificação de "uma organização que tem ideais nobres".

A propósito do escândalo conhecido em 2011 sobre uma alegada rede de interesses que envolvia os serviços de espionagem, conhecidas figuras políticas e do meio empresarial, algumas das quais pertencendo à maçonaria, Fernando Lima negou que a instituição seja palco de conspirações e garantiu que as lojas (espaços onde os maçons se reúnem) não são espaço de conspiração, mas sim de debate e reflexão.

O grão-mestre reconhece que "o que transpira é a exceção, a minoria", facto que lamenta, pois "em grandes organizações, como a igreja católica, não é por acontecer um caso menos nobre que se condena uma instituição".

Um "antimaçonismo muito forte" estará na origem desta interpretação "errada" do que é a organização.

"Em Portugal tivemos várias perseguições. Os maçons sempre foram uns lutadores pela liberdade e há quem não goste disso. Salazar proibiu a maçonaria. Isto leva um pouco -- tal como o anti-semitismo -- a que as sociedades, quando estão mais frágeis, procurem um bode expiatório. A maçonaria é muitas vezes um bode expiatório", adiantou.

Este escândalo em particular, que levou algumas personalidades a defenderem a obrigatoriedade dos maçons de assumirem como tal, o que Fernando Lima recusa veementemente, teve um resultado que surpreendeu o grão-mestre.

"Apesar de algumas conclusões e de algum aparto mediático, constatei um fenómeno contrário: a frequência das lojas e inclusivé a aderência de elementos foi significativa, maior do que se poderia esperar após esta situação", disse.

Para Fernando Lima, "apesar de tudo, as pessoas sabem distinguir as coisas efémeras e pontuais do que é a verdadeira natureza da maçonaria", ou seja, "uma escola de nobres valores que forma homens para mudarem o mundo".

Questionado sobre as garantias que o GOL tem sobre os reais interesses dos que hoje em dia querem pertencer à maçonaria, o grão-mestre citou um dos seus antecessores, o socialista António Arnaut: "Não é maçon quem quer".

"O processo de entrada na maçonaria tem algum escrutínio e seletividade", disse, frisando que "as exigências para ser maçon são apertadas".

Fernando Lima diz que os maçons têm hoje "cuidado" no "recrutamento" de novos elementos, uma cautela que está a cargo das lojas.

"Naturalmente que o conselho da ordem (grão-mestre e adjuntos) faz recomendações fortes e chamadas de atenção para que esse recrutamento seja de acordo com os princípios que nos são inerentes", frisou.

Desde que Fernando Lima foi empossado, em setembro de 2011, já foi recusada a entrada a alguns candidatos, porque " análise que foi feita concluiu que não tinham o perfil".

No mesmo período, Fernando Lima assistiu ainda à saída de algumas pessoas que não seguiam "os nobres valores da maçonaria" e que o fizeram "por sua auto recriação".

"Quando esses casos são detetados, são julgados (entre aspas), e as pessoas ficam a mais na organização", explicou.

O GOL, fundado em 1802, tem hoje cerca de 2.000 associados que se reúnem em mais de 90 lojas.

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