Escola abre inquérito ao caso da ameaça com pistola de plástico

O Conselho Executivo da Escola Secundária do Cerco do Porto decidiu abrir um inquérito ao sucedido na escola. A decisão foi tomada após uma reunião com os três alunos que apontaram uma pistola de plástico a uma professora, alegadamente numa brincadeira.

Eduardo Caetano, RTP /
Inquérito aos acontecimentos na escola secundária do Cerco apurará responsabilidades RTP

No final da reunião não houve quaisquer declarações públicas, mas de acordo com a presidente da Associação de Pais, Lina Maria, ficou decidido que todas as partes envolvidas serão ouvidas num inquérito a dirigir por alguém "imparcial" e a indicar pelo Conselho Executivo.

No passado dia 12 de Dezembro, na Escola EB 2,3/S do Cerco do Porto, um grupo de alunos ameaçou a professora de Psicologia com uma arma de plástico, exigindo melhores notas e tudo foi filmado por um telemóvel, cujas imagens circularam depois no You Tube, na Internet.

Confrontados pelo conselho directivo da escola, os três alunos garantiram não ter pretendido agredir ou violentar ninguém e “muito menos a professora”.

"Aquilo foi resolvido na altura. Eles próprios acharam que tinham passado os limites e pediram desculpa à professora. Ela aceitou e tudo ficou por aí, tanto que – a professora –, não fez qualquer participação", informa Lina Maria, que assistiu à reunião.

No dia 18 de Dezembro e no dia posterior tanto a professora como elementos da escola disseram que se tratava de alunos pacatos, educados, com boas notas, que não tinham habitualmente comportamentos violentos ou criticáveis.

A brincadeira de mau gosto assumiu proporções mais graves pois circulou na Internet, e de imediato lembrou cenas de um passado recente no Carolina De Michaelis com uma aluna envolvida em violência física e verbal com a professora por causa de um telemóvel, cena que foi filmada e incentivada por outros estudantes presentes na saa de aula.

Os três alunos garantiram aos membros do Conselho directivo da escola que não colocaram imagens nenhumas no You Tube. "Terão passado as imagens a alguém que não é tão amigo deles quanto pensam e que as colocou no Youtube”, informou ainda a representante da Associação de Pais.

Lina Maria reconhece, no entanto, que a atitude dos alunos não terá sido a mais correcta mas acha que o importante é o facto de os próprios alunos visados se terem apercebido disso imediatamente e pedido desculpa à professora. "E os alunos tiveram consciência disso, o que acho muito importante", frisou.

Lina Maria defendeu a opinião de que o inquérito "não deve ser desenvolvido a quente, tendo em atenção que pais e alunos estão ainda muito nervosos com tudo o que aconteceu" e aconselhou calma e ponderação. "Se calhar, é melhor acalmar um bocadinho, para que as coisas possam ser feitas com discernimento", sublinhou Lina Maria.

Entretanto quer a professora em causa, quer a Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, já desvalorizaram o acontecimento considerando que se tratou de "uma brincadeira de muito mau gosto, que excedeu os limites do bom senso".
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