Escola Básica Ducla Soares deixa duas crianças sem refeição durante dois meses
Incapaz de lidar com uma dívida de 60 euros dos pais, a Escola Básica Luísa Ducla Soares, do agrupamento de Escolas da Baixa Chiado, deixou duas crianças sem almoço durante mais de dois meses. Filhos de pais separados, que informaram a escola de não ter condições para pagar, os meninos de 7 e 9 anos foram proibidos de frequentar a cantina e chegaram a ter de fazer refeições às escondidas. Só a intervenção do presidente da junta de freguesia vizinha levou a solucionar a situação. O presidente da CONFAP arrasa os responsáveis da escola, lamentando a "negligência grosseira" que denotaram perante uma situação grave que poderia estar a colocar menores em risco. É o segundo caso conhecido desde Outubro em que as crianças são usadas para atingir os pais.
Os pais, que se encontram separados, informaram a escola que não tinham condições para saldar essa dívida.
Como resultado, face à indisponibilidade dos pais para regularizarem a situação, durante dois meses os irmãos de 7 e 9 anos ficaram sem almoço.
Perante a incapacidade da direção da escola, só a intervenção de Vaso Morgado, presidente da Junta de Freguesia de São José, conduziu à resolução do problema.
CONFAP arrasa direção da escolaRefere o JN que os irmãos estiveram semanas a fio sem almoço e sem que a Escola Ducla Soares nada fizesse quanto ao problema, limitando-se a pressionar os pais para pagarem os 60 euros. O casal insistia não ter possibilidade para saldar a dívida e o calvário das crianças só acabou com a intervenção do presidente da Junta de São José, Vasco Morgado.
As regras não permitem que os pais mandem almoço para a escola, apenas uma refeição leve. Como a situação se arrastava há quase três meses, na última semana antes das férias do Natal os meninos almoçaram às escondidas, com comida de fora.
"Negligência grosseira", acusa o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), apontando o dedo aos responsáveis da Escola Básica Ducla Soares.
Para Albino Almeida, este é mais um caso de "negligência e comportamento verdadeiramente inapropriado e inaceitável por parte de uma escola em relação a uma criança".
Comentando o caso denunciado pelo Jornal de Notícias na sua edição deste domingo, o dirigente da CONFAP lamenta que a escola se tenha furtado às suas funções, não mostrando capacidade para reagir perante uma situação em que os menores podiam estar em perigo e deveria ter sido alertada de imediato a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.
"O que é preciso é informar imediatamente e não cortar a alimentação às crianças", fez notar Albino Almeida, fazendo ele próprio a sua interpretação deste episódio que se arrastou durante mais de dois meses: "Uma família, ao desligar-se do pagamento das refeições, pode querer dizer que há uma criança em perigo".