Escola de Ponte de Lima fechada a cadeado em protesto contra fecho anunciado
A escola do primeiro ciclo do ensino básico da Gemieira, Ponte de Lima, foi hoje fechada a cadeado numa manifestação de protesto da população pelo anunciado encerramento daquele estabelecimento de ensino.
"Não há nada que justifique o encerramento e, por isso, vamos lutar até onde pudermos para evitar que seja cometida esta enorme injustiça", disse Claudina Carvalhosa, mãe de uma criança que frequenta aquela escola e de uma outra que "vai começar os estudos" no próximo ano.
Uma opinião partilhada por Maria Isabel Oliveira, que tem uma filha no 3º ano e que não se conforma com o facto de "quererem fechar a escola da freguesia, quando já é sabido que vão ficar abertas outras com muitos menos alunos e com muito menos condições" do que a da Gemieira.
A intenção da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) é transferir os alunos da Gemieira para o Centro Escolar da Ribeira, que fica a cerca de cinco quilómetros de distância.
"Esse centro escolar fica junto a uma estrada nacional e bem pertinho do nó da auto-estrada, com tudo o que isso significa de perigo para as crianças", referiu Maria Isabel Oliveira.
Contra o encerramento da escola da Gemieira manifestou-se também o presidente da Junta de freguesia, António Sá Matos, que disse que "é claramente um erro, além de uma enorme injustiça, fechar uma escola que está como nova e que dispõe de todas as condições, depois de nos últimos cinco ou seis anos ter sofrido obras avaliadas em cerca de 100 mil euros".
O autarca acrescentou que a escola é frequentada, este ano lectivo, por 23 alunos, um número que em 2006/2007 poderá ascender a perto de 30.
"A escola foi restaurada há dois anos, tem uma cantina nova a funcionar, está dotada de uma área coberta com cerca de 100 metros quadrados para recreio, há um moderno sistema de aquecimento nas duas salas de aula, tem inglês e Internet, está situada junto das áreas mais habitadas da freguesia. Tem tudo para um ensino de qualidade", disse António Matos.
A população da Gemieira já cobriu a freguesia de bandeiras negras e promete ainda no próximo sábado manifestar-se em Ponte de Lima, no decorrer da reunião da Assembleia Municipal.
Paralelamente, a população está a promover um abaixo-assinado que já conta com mais de 200 assinaturas e vai ameaçar com uma manifestação às portas DREN.
"Vamos até ao fim", garantem os pais.
No concelho de Ponte de Lima, e segundo dados avançados pelo Centro de Área Educativa (CAE) de Viana do Castelo, está previsto o encerramento, no final do presente ano lectivo, de um total de 12 escolas do primeiro ciclo do ensino básico.
Os objectivos subjacentes a esta iniciativa da DREN são, por um lado, combater o insucesso escolar e, por outro, fomentar o processo de socialização dos alunos.
No cômputo do distrito, são 82 as escolas que deverão fechar portas, sendo o concelho de Arcos de Valdevez o mais "atingido", com 29, logo seguido de Ponte da Barca, com 15, e de Ponte de Lima, com 12.
Actualmente, o distrito de Viana do Castelo conta com 257 escolas daquele grau de ensino, frequentadas por um total de 27.708 alunos.
Dessas escolas, 11 têm menos de cinco alunos, 53 menos de 10 e 101 menos de 20, pelo que, no total, são 165 as que "não cumprem os mínimos" fixados pelo Governo para se manterem abertas.
No entanto, as previsões apontam apenas para o fecho de 82, já que, como explicou o CAE, "há um conjunto variadíssimo de factores", nomeadamente a existência ou não de alternativas aceitáveis, que contribuem para que o "tecto" de 20 alunos não possa ser aplicado "de uma forma cega".
O plano de reordenamento da rede escolar prevê ainda o encerramento de seis escolas em Caminha, seis em Monção, cinco em Melgaço e três em Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira.