Escola do Cacém com mais alunos de diferentes nacionalidades

Na Escola Básica António Sérgio, Cacém, há alunos de 17 nacionalidades diferentes, o que a torna o estabelecimento com maior diversidade linguística da Área Metropolitana de Lisboa, segundo um projecto que é hoje apresentado.

Agência LUSA /

O "Projecto Diversidade Linguística na Escola Portuguesa" é uma iniciativa conjunta do Instituto de Linguística Teórica e Computacional, do Ministério da Educação e da Fundação Calouste Gulbenkian, onde será apresentado ao fim da tarde.

Iniciado em 2003, o estudo pretende caracterizar a diversidade das línguas presentes nos dois primeiros ciclos das escolas do ensino básico oficial.

"Com este trabalho, pretendemos também apoiar os professores do ensino básico que têm turmas com crianças que não têm o português com língua materna", disse à agência Lusa Maria Helena Mateus, coordenadora do projecto.

O "Projecto Diversidade Linguística na Escola Portuguesa" irá decorrer até 2007, sendo hoje apresentados também os resultados obtidos nos dois primeiros anos de trabalho, que consistiu na caracterização das línguas maternas dos alunos que frequentam o 1º e 2º ciclos e na reunião de produções orais e escritas de alunos do 4º e 6ºano.

Actualmente, a equipa da professora Maria Helena Mateus está a identificar as principais dificuldades linguísticas desses alunos.

Através de um inquérito realizado em 410 escolas dos concelhos de Almada, Amadora, Barreiro, Lisboa, Loures, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Seixal e Sintra, pode concluir-se que dos 74.595 alunos desses estabelecimentos de ensino, 8.406 nasceram fora de Portugal (11%).

Esses alunos são naturais de 74 países diferentes, sendo Angola o mais representado com 2.577 crianças, seguida de Cabo-Verde (1.343), Guiné-Bissau (951), Brasil (782) e São Tomé e Príncipe (661).

As escolas com maior número de crianças estrangeiras são a EB 2º e 3º Ciclos António Sérgio, no Cacém, com 17 nacionalidades estrangeiras, a EB 1º Ciclo com Jardim-de-Infância Odivelas nº1, com 16, e a EB 1º Ciclo Agualva nº 3, em Sintra, com 14 nacionalidades.

Também com 14 nacionalidades diferentes encontram-se a EB 2º e 3º Ciclos da Póvoa de Santo Adrião, Odivelas, e a EB Integrada com Jardim-de-Infância Elias Garcia, Almada.

O crioulo cabo-verdiano, o crioulo da Guiné e o quimbundo (dialecto que se fala em Angola) são as línguas mais faladas pelos alunos estrangeiros na escola e em casa.

Contudo, alguns abandonam a língua materna quando estão junto de colegas e amigos, e optam por falar português.

De acordo com os dados do projecto, em casa são faladas 58 línguas estrangeiras, número que desce para as 37 quando os alunos estão com colegas e amigos.

"Isso pode ficar-se a dever ao facto de os alunos não terem com quem falar a língua na escola ou ao facto de, por algum motivo, não se sentirem à vontade para o fazer", afirmam os autores do projecto.

"A diferença entre línguas faladas em casa e línguas faladas com amigos e colegas mostra que as línguas perdem alguma vitalidade em contexto não-familiar, o que se traduz não só na redução do número de línguas, mas também no número de falantes dessas línguas", acrescentam.

A equipa que trabalha no projecto recolheu ainda produções orais e escritas de alunos do 4º e 6ºano, falantes de algumas das línguas estrangeiras mais usadas nas escolas, "para saberem como é que eles falam e interpretam o português", explicou a coordenadora, Maria Helena Mateus.

O passo seguinte é a identificação das principais dificuldades apresentadas por esses alunos.

"Estudámos também as principais línguas de origem dos alunos e apresentámos aos professores as suas características", acrescentou.

Nos anos 2006 e 2007 irá ser elaborado um documento final sobre estratégias didácticas para o desenvolvimento da língua portuguesa em contexto multilingue e serão realizadas acções de formação junto da equipa de professores do ensino básico implicados no projecto.

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