"Escola Solidariedade" em Moçambique é exemplo de "nova cooperação", afirma Luís Amado
A "Escola Solidariedade", construída no bairro de Mavalane, nos arredores de Maputo, foi hoje apontada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, como um exemplo paradigmático da "nova etapa de cooperação" entre Lisboa e Maputo.
Inaugurado em Fevereiro deste ano, o estabelecimento de ensino foi edificado com o apoio da cooperação portuguesa numa região limítrofe da capital moçambicana com cerca de 100 mil habitantes, onde as estradas são ainda de terra e as habitações precárias. Uma vasta região onde antes não existia nenhuma escola.
Três meses depois de ser inaugurada, a escola construída para albergar 2.200 alunos acolhe já quase 2.700, distribuídos por quase todos os graus de ensino, da primeira classe ao 10º ano.
"O trabalho desta instituição é bem revelador de que, quando há vontade, quando há alguns recursos, motivação e cooperação efectiva entre as autoridades locais, Governo de Moçambique, sociedade civil, se pode fazer muito pela vida das pessoas em concreto", comentou Luís Amado após a visita ao estabelecimento de ensino.
E acrescentou: "Estão aqui 2700 crianças que têm um futuro em boa parte resultante desta convergência de apoios entre Portugal e o Governo de Moçambique".
Na visita à escola, de paredes cor-de-rosa e telhados verdes, o chefe da diplomacia portuguesa percorreu salas de aula, de computadores e de costura, o centro médico, o "salão de estudo" e a "sala de TV", sempre acompanhado pelo secretário de Estado da das Comunidades Portuguesas, António Braga, o responsável da escola, padre Anastácio Jorge Rocha, e pela vice-ministra da Educação moçambicana, Antónia Xavier Dias.
"Este senhor é quem", perguntava a vice-ministra moçambicana a cada passo da visita, obtendo normalmente como resposta o silêncio dos alunos interpelados.
"Ele ministro de quê? É ministro dos Negócios Estrangeiros. E veio ao estrangeiro tratar de quê? De Negócios", acabou por esclarecer Antónia Xavier Dias.
A visita terminou debaixo de um enorme alpendre, que protegia os visitantes e centenas de alunos fardados a rigor do calor inclemente que já se fazia sentir, com a exibição de danças tradicionais moçambicanas, tendo sido interpretada uma canção especialmente concebida para a ocasião.
"Obrigado, obrigado cooperação portuguesa. Há muito tempo que estudávamos debaixo de um cajueiro. Mas o vosso amor se manifestou", cantou afinadamente um grupo de alunos.
No final, o ministro português dirigiu-se depois aos alunos e prometeu que "o grupo dos melhores" alunos que termina este ano a "escola da solidariedade" irá a Lisboa "conhecer outras escolas e outros meninos".
"É importante que haja intercâmbio entre as escolas europeias e de África. É um projecto que há muito procuro desenvolver e acho que através da geminação desta escola com uma escola portuguesa podem criar-se condições para um melhor conhecimento do que é hoje a realidade de Portugal", disse, apontando a educação como um "sector fundamental" da cooperação portuguesa.