Especialista destaca importância da análise das expressões faciais
O psicólogo norte-americano Paul Ekman defendeu hoje a formação de agentes policiais na análise das expressões faciais, garantindo que esta técnica pode dar indícios preciosos sobre a inocência ou culpabilidade dos suspeitos de crimes.
Em declarações à Agência Lusa, o psicólogo Armindo Freitas, director do Laboratório da Expressão Facial da Emoção (FEELab), localizado em Felgueiras e único em Portugal, disse que a estrutura está já preparada e disponível para formar os polícias portugueses, desde que para tal haja "vontade governamental".
Os dois psicólogos falavam à Lusa em Felgueiras, à margem de uma conferência organizada pelo Instituto Superior de Ciências Educativas (que criou o FEELab) intitulada "Compreender a face e as emoções".
Especialista na análise das expressões faciais e considerado um dos cem psicólogos mais influentes do século XX, Paul Ekman estudou, ao longo de 40 anos de carreira, as faces de elementos de tribos da Nova Guiné, de doentes esquizofrénicos, de espiões e de assassinos em série.
É consultor na área da expressão emocional de várias agências governamentais norte-americanas, entre as quais a CIA e o FBI, além da polícia e de organizações anti-terroristas.
O seu trabalho, explicou, é mostrar aos agentes destas forças policiais como entrevistar adequadamente os suspeitos e testemunhas, destacando a importância da análise das suas micro-expressões faciais (expressões muito fugazes e específicas, só detectadas por especialistas) logo no primeiro interrogatório.
É que, explicou, é nesta altura que melhor se apuram as emoções por detrás das expressões faciais, muitas vezes antes que o próprio interrogado se aperceba do que está a sentir.
Por isso mesmo, disse, esta técnica não se adequa a uma sala de tribunal, já que nessa altura as pessoas tiveram demasiado tempo para preparar e ensaiar as emoções e respectivas expressões.
"A pessoa que tem a melhor oportunidade para aferir a verdade através das expressões faciais de um suspeito é quem o interroga primeiro, que é normalmente o agente policial", sustentou, destacando a importância deste estabelecer com o entrevistado uma relação de confiança.
Garantido este elo de confiança, a técnica de Paul Ekman - que desenvolveu programas informáticos para análise das micro-expressões faciais - permite também saber detectar as questões a colocar e os tópicos a aprofundar.
O objectivo, frisou, é garantir uma melhor investigação policial que permita levar cada vez menos pessoas inocentes a tribunal e, eventualmente, condená-las erradamente.