Especialista reconhece que praga de térmitas é de difícil combate
Um especialista da universidade açoriana revelou hoje que as térmitas que estão a atacar as estruturas de moradias nas ilhas são de combate difícil, pelo que a solução pode ter de passar pela substituição da madeira por betão.
"Tentou-se a eliminação (da espécie) em África do Sul na Austrália, mas não se conseguiu", salientou Paulo Borges, professor do departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, que participou na primeira reunião de um grupo de trabalho criado pelo Governo Regional para analisar o problema.
Moradores dos centros históricos das cidades de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada alertaram recentemente para uma praga de térmitas que está a atacar a madeira de várias habitações, provocando graves danos nas suas estruturas.
Segundo Paulo Borges, este tipo de térmitas, conhecidas por formigas brancas, é ainda de "difícil combate", já que se conhecem "poucas formas de controlo".
Perante isso, "há que gerir a praga" através de novas técnicas de materiais de construção, substituindo a madeira por betão, disse o especialista, que defendeu também a aplicação de tratamentos preventivos nas habitações ainda não afectadas.
Paulo Borges alertou para a necessidade da caracterização do problema em outras cidades dos Açores, à semelhança do que aconteceu em Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
"Em Ponta Delgada, na Horta e na Praia da Vitória nem se chegou à situação de saber quais são os casos graves, mas este trabalho foi realizado em Angra durante seis meses", afirmou.
Segundo indicou, foram investigadas cerca de 380 habitações em Angra do Heroísmo, 50 por cento das quais apresentaram problemas "muito graves" nas suas estruturas.
Paulo Borges aplaudiu ainda o recente anúncio do Governo Regional de criar uma linha de crédito para apoiar os proprietários das moradias afectadas na substituição das áreas infestadas, mas defendeu o acompanhamento técnico desses apoios.
"Não faz sentido apoiar proprietários que tenham problemas de baixo nível, só fazendo sentido a ajuda financeira quando se prove que o nível de infestação é elevado", disse.