Especulação imobiliária é raiz da corrupção municipal
A especulação imobiliária é a raiz da corrupção municipal e a principal responsável pela criação de fortunas rápidas e abusivas, disse Francisco Louçã, que se encontra de visita ao Algarve para chamar a atenção sobre este tema.
"É preciso que o país perceba que há uma casta de `marajás` que têm muito poder junto das câmaras municipais ou do Estado e que multiplicam dinheiro como o Rei Midas", afirmou em declarações à agência Lusa o coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda.
Francisco Louçã está hoje em Portimão para denunciar a existência de especulação imobiliária na Ria de Alvor, zona de sapal onde o empresário Joe Berardo adquiriu um terreno de 200 hectares por 500 mil euros, vendido cinco anos depois ao grupo Imoholding por 15 milhões.
Segundo o dirigente partidário, o valor imobiliário do terreno designado por Quinta da Rocha aumentou brutalmente devido ao facto de Joe Berardo ter conseguido registar 18 prédios urbanos integrados na propriedade quando na realidade apenas lá existiam onze construções rurais (ruínas).
Depois de ter adquirido o terreno no ano 2000 por 500 mil euros e de ter visto chumbado pelo Ministério do Ambiente um projecto que previa a construção de uma nova Quinta do Lago, Berardo vendeu-o em 2005 por um valor trinta vezes superior ao inicial, obtendo um lucro de 3 mil por cento.
"Não quero acusar ninguém nem pronunciar-me sobre a legalidade da operação, pois isso compete à justiça, quero apenas denunciar um caso concreto de especulação imobiliária no Algarve e que acontece um pouco por todo o país", afirmou.
Salientando não conhecer nenhuma actividade além da especulação imobiliária que permita a alguém multiplicar por trinta o seu investimento, Louçã disse que, além de promover a corrupção, a actividade está a motivar a destruição do litoral e de reservas ecológicas.
No ano passado, os novos proprietários da Quinta da Rocha, situada numa zona de sapal e inscrita na Rede Natura 2000, começaram os trabalhos de terraplanagem e remoção de terras, com vista à construção de um empreendimento turístico, o que motivou queixas por parte de associações ambientalistas da região.
O Bloco de Esquerda apresentou em Fevereiro um projecto de lei que prevê que as mais valias obtidas através da alteração do uso dos solos nos Planos Directores Municipais (PDM) revertam a favor do Estado como forma de combater a corrupção, modelo que já se pratica em Espanha.
O tema da especulação imobiliária já levou Francisco Louçã até à Moita, Cascais, Gondomar e Algarve, estando previstas visitas também à região do Alentejo.