Esquadra PSP passa de `roulotte` sem casa-de-banho para instalações provisórias sem comunicações

Corroios, Setúbal, 04 (Fev) - A esquadra da PSP de Corroios funcionou durante três dias num posto móvel sem o mínimo de condições, tendo mudado para instalações provisórias no sábado onde ainda não existem comunicações.

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O presidente da Junta de Freguesia de Corroios, Eduardo Rosa, mostrou-se insatisfeito com a situação, considerando que a situação não é digna para a freguesia e agentes: "Ficaram instalados numa roulotte sem condições numa esquina, que tinha espaço para três homens e meio e onde não existia sequer casa-de-banho ou comunicações. A luz que tinham foi uma loja que cedeu e penso que isto não são condições para receber 62 elementos, que tinham que ir à casa de banho dos cafés ou da esquadra da Cruz de Pau, que lhes deu apoio nestes dias", disse em declarações à Lusa.

O autarca afirmou que foi a junta de freguesia a efectuar diligências para encontrar um local provisório o mais rápido possível, o que aconteceu no sábado, de modo a receber a esquadra até estarem concluídos os trabalhos no espaço que vai receber a nova esquadra de Corroios, que devem durar cerca de 4 meses.

"Encontramos uma loja provisória em Santa Marta de Corroios, perto do local onde se vai situar a esquadra, que tem um mínimo de condições para receber a PSP. É sem dúvida melhor que a viatura ambulante", defendeu, criticando o decisão de se efectuar a troca quando não existiam condições e quando a mesma já tinha sido adiada duas vezes por o mesmo motivo.

Belizário Martins, da Assembleia de Freguesia de Corroios, explicou à Lusa que o espaço provisório ainda não tem telecomunicações e que é difícil para os agentes trabalharem com essas condições numa zona com cerca de 57 mil habitantes.

"No local ainda não existe telefone nem fax. Foi tudo feito à pressa e teve que ser a junta de freguesia a efectuar diligências para ultrapassar a situação e melhorar um pouco as condições. É uma situação no mínimo caricata", referiu.

Eduardo Rosa confessou que a área foi reforçada no número de efectivos e explicou o que terá estado na origem do problema:"foi dado pelo ministério um valor de 800 euros para se encontrar um espaço, mas a loja que tínhamos em vista custava 900 euros de renda e a junta defendeu que não seria por 100 euros que a PSP não ia para o local. O proprietário decidiu depois que já não queria fazer negócio e tivemos que encontrar outra alternativa que se situa na avenida Rui Grácio", afirmou.

O comandante da Divisão da PSP do Seixal, à qual pertence a esquadra de Corroios, explicou que o posto móvel foi uma situação de recurso, apesar de confessar que as condições não eram as melhores.

"O posto móvel foi uma situação de recurso mas não era a melhor solução e por isso decidimos fazer a mudança no sábado para umas instalações provisórias que tem condições diferentes, enquanto decorrem as obras de adaptação de um espaço para receber a esquadra. Ainda não temos telefone, fax e rede de dados porque a companhia não trabalha ao fim-de-semana mas estamos a tratar da situação", disse à Lusa o subintendente Fernando Pinto.

O responsável afirmou que podia se ter optado por manter os agentes no posto móvel, onde também não existiam comunicações, até o espaço provisório ter todas as condições, mas que a decisão foi fazer logo a mudança no sábado.

Em relação à situação dos cerca de 60 elementos que pertencem à esquadra de Corroios, o subintendente Fernando Pinho defendeu que o efectivo percebeu a situação, apesar de não ter gostado da solução do posto móvel.

"Ninguém gosta do posto móvel, nem eu, mas vi a disponibilidade e motivação quando os agentes trabalharam na mudança fora do seu horário de serviço, que é um indicador positivo do estado dos agentes", afirmou.

O presidente da junta de freguesia defendeu que os agentes tentaram esconder a insatisfação, mas afirmou que sentiu a desmotivação.

"Como bons profissionais tentaram não deixar perceber a sua insatisfação, mas é claro que lá no fundo estão desmotivados com a situação", disse.

O presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP-PSP), António Ramos, explicou que a situação se deve ao facto da reestruturação nas forças policiais se ter feito sem os devidos preparativos e condições.

"O local não tinha condições e está reestruturação foi toda feita em cima do joelho. A mudança é um bom começo porque já têm outras condições", disse em declarações à Lusa.

António Ramos aproveitou a oportunidade para lembrar o problema que existe na Póvoa de Santa Iria.

"Em Corroios têm mais sorte, pois na Povoa de Santa Iria a situação é pior, porque saiu a GNR e agora dizem que o espaço onde esta estava não tem condições, por isso não existe polícia no local. Os agentes saem de Alverca para ir patrulhar a zona, mas não é a mesma coisa pois não conseguem ter o mesmo conhecimento da zona, que tem cerca de 50 mil habitantes, se também juntarmos o Forte da Casa", referiu.

Sobre este assunto, António Ramos anunciou que as forças políticas da oposição vão manifestar na próxima quarta-feira o seu descontentamento com a situação.


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