Estação do Rossio, em Lisboa, reabre em Setembro com espaço museológico
A estação de comboios do Rossio reabre em Setembro, depois de a Refer ter aceite a exigência da Câmara de Lisboa de instalar um espaço museológico no local, disse hoje à Lusa fonte da autarquia.
No passado dia 14 de Novembro, a autarquia embargou a obra a cargo da Invesfer, empresa em que participa a Refer, gestora das infra-estruturas ferroviárias do país, por falta de licença para a obra, aprovada pela autarquia no anterior mandato.
O presidente da Câmara, Carmona Rodrigues, propôs à Refer uma alteração do projecto, de forma a adaptar a estação ferroviária a um uso mais consentâneo com o seu valor arquitectónico, por considerar que a instalação de escritórios - prevista no projecto licenciado - não seria o uso mais adequado para a estação do Rossio.
A empresa aceitou a proposta da autarquia e aumentou a área de espaço lúdico e cultural em mais 900 metros quadrados, reduzindo a área de serviços.
Terminado o diferendo com a autarquia, as obras recomeçaram na passada terça-feira, adiantou à Lusa uma fonte da Câmara de Lisboa.
"A Refer comprometeu-se a fazer alterações no projecto, criando um espaço museológico e cultural" que deverá ser coordenado pelo Ministério da Cultura, disse a mesma fonte.
A fonte adiantou que as obras estão já a decorrer "com a autorização da autarquia".
Contactado pela Lusa, o porta-voz da Refer, Rui Reis, adiantou que a estação do Rossio deverá reabrir em Setembro, na mesma altura do túnel do Rossio.
Segundo Rui Reis, a estação irá manter as quatro valências: o terminal ferroviário da linha de Sintra, um espaço de lazer, outro de serviços e um espaço lúdico- cultural.
No projecto inicial, este espaço era uma zona de circulação pública e tinha uma área 1.000 metros quadrados.
No novo projecto, esta zona foi ampliada em mais 900 metros quadrados, área que será fechada, adiantou Rui Reis.
Em consequência da ampliação deste espaço, foi reduzida a área de serviços, correspondendo à reivindicação da autarquia.
Rui Reis adiantou ainda que o espaço de lazer vai ter impacto na Praça Duque do Cadaval, onde funcionava um parque de estacionamento "desordenado", que será transformado numa zona pedonal com esplanadas.
A obra da Estação do Rossio foi licenciada durante o anterior mandato, presidido maioritariamente por Pedro Santana Lopes (PSD) e em que António Carmona Rodrigues foi vice-presidente e também presidente.
O edifício, construído entre 1886 e 1887 no estilo neo-manuelino, está classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) como património industrial.
A Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses encomendou ao arquitecto José Luís Monteiro a construção da Estação Central de Lisboa, que foi valorizada pela utilização de uma corrente estética geralmente atribuível a edifícios conotados com o poder.