Estado desafiado a duplicar ajuda a alunos das escolas privadas
A Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular desafia o Estado a duplicar a ajuda às famílias que querem manter os filhos nas escolas privadas. Fizeram as contas e concluíram que sairia mais barato aos cofres do Estado apostar na vertente privada de ensino em vez de suportar os custos dos alunos que saem dos colégios para as escolas públicas.
Em tempo de crise, a abertura do Colégio Pedro Arrupe, na zona Norte do Parque das Nações, parece contrariar a ideia de que existem cada vez mais alunos a desistirem do privado. Este ano lectivo abriu com 680. Com capacidade para carga máxima de alunos na ordem de 1600, os responsáveis da escola acreditam que esse número será atingido em dois ou três anos.
Com um investimento global de 30 milhões de euros, esta escola de inspiração jesuíta oferece um projecto educativo do pré-escolar ao 12.º ano. Em troca, os pais pagam uma propina que ronda os 500 euros sem alimentação.
Diz esta escola que o valor associado à frequência de um aluno não é muito diferente do valor que o Estado dispende por aluno no ensino público.
De acordo com os números recentemente divulgados pela OCDE, Portugal gasta por ano e por aluno 5200 euros. Já no ensino privado, o Estado apoia as famílias de baixo rendimento com uma comparticipação anual de 500 a 720 euros. Feitas as contas, sairia mais barato aos cofres do Estado se a política educativa fizesse outra aposta.
Outro exemplo em que o Estado poupa é no modelo de Contrato de Associação, como o que é aplicado no Externato de Penafirme, que serve três freguesias no concelho de Torres Vedras e onde estudam perto de dois mil alunos do 5.º ao 12.º ano, com vertentes via ensino ou profissional.
Funciona há 36 anos e no fundo trata-se de uma escola de gestão privada mas com entrada gratuita para todos os alunos.
Com números de sucesso invulgares, quase 100 por cento dos finalistas que projectaram entrar no ensino superior conseguiram-no e mais de metade na primeira escolha.