Estigma social também afecta família
A presidente da Federação Europeia de Associações de Famílias de Pessoas com Doenças Mentais (EUFAMI), Inger Nilsson, alertou hoje para o impacto que o "estigma" com que a sociedade marca os doentes mentais provoca nas suas famílias.
"Esse estigma também nos afecta a nós, membros da família. É um grande peso que temos de carregar", frisou a economista sueca, que se dedica a alertar a sociedade para os problemas das famílias com pessoas que apresentam doenças mentais.
Numa intervenção que hoje proferiu no Porto, no quadro das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental, a presidente da EUFAMI apontou a eliminação do estigma social como um dos objectivos da organização que lidera.
Para esse efeito, salientou a importância de "contrariar a ignorância e a má informação", mas também a necessidade de "divulgar os exemplos de boas práticas".
Inger Nilsson, que se assumiu como mãe de uma pessoa com doença mental, aproveitou o exemplo da sua filha para frisar que "há sempre esperança" numa melhoria.
Nesse sentido, revelou que a filha, graças a "bons médicos e a cuidados adequados", conseguiu recuperar, casou e teve recentemente um filho.
A EUFAMI, criada em 1992 e sedeada nos arredores de Bruxelas, tem como principal objectivo a promoção da melhoria dos cuidados de saúde e do bem-estar de todas as pessoas com problemas de saúde mental, "incluindo os seus familiares".
Para atingir esse objectivo, a EUFAMI, que está actualmente presente em 28 países europeus, defende que o doente deve ser visto como "um parceiro na equipa de tratamento", sendo-lhe recohecido o direito a "uma oportunidade de vida".
Por outro lado, esta organização não governamental tem vindo a "pressionar" as autoridades nacionais dos vários países em que está presente para promover uma "harmonização da legislação que permita melhorar as condições dos doentes e dos seus familiares".
A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental assinalou hoje o Dia Mundial da Saúde Mental com uma conferência que decorreu durante todo o dia na Universidade Católica do Porto.
A depressão e as síndromes ansiosas são as formas mais comuns de doença mental, admitindo os especialistas que a depressão possa tornar-se, até 2020, na primeira causa de morbilidade nos países desenvolvidos.
Na Europa, as perturbações mentais afectam um quarto dos adultos, estando na origem da maior parte das cerca de 58 mil mortes anuais por suicídio.
Na União Europeia, as doenças mentais custam cerca de 4 por cento do produto interno bruto, principalmente devido às perdas de produtividade que origina e aos encargos suplementares que implica para os sistemas de saúde, social, educativo e judicial.