País
Estudantes bloqueiam duas escolas em Lisboa
A Escola Artística António Arroio e a Escola Secundária de Camões, em Lisboa, têm as entradas bloqueadas esta manhã. O protesto promovido pelos movimentos Chumbado.PT e Estudantes pelo Fim ao Fóssil destaca os problemas na habitação e no clima, assumindo inspiração mas manifestações estudantis no estrangeiro e nos acampamentos em Portugal.
(em atualização)
Matilde Ventura, que faz parte do coletivo Estudantes pelo Fim ao Fóssil e está na Escola António Arroio, explicou à RTP Antena 1 que estão desde bem cedo nos dois locais, antes da abertura das escolas.
"Neste momento, o Governo está a colocar o lucro acima da educação, acima da habitação e nem sequer está a pensar em garantir uma transição energética que garanta as condições materiais para a nossa vida", defende.
A representante do movimento aponta que as "as escolas estão a ser bloqueadas desde muito cedo, antes de abrir, desde as cinco da manhã", destacando "por todo o lado cadeados, correntes e muitas faixas" com "muitos estudantes em todos os portões e também muitos professores a apoiar".
A polícia está nas duas escolas, mas, antes das 10 horas, ainda não houve uma abordagem aos manifestantes, acrescenta.
Sobre os motivos do protesto, Matilde Ventura aponta que "por todo o mundo os estudantes estão a manifestar-se, a liderar movimentos absolutamente massivos" e que "esses estudantes cá em Portugal também são inspirados pelas acampadas" do Porto e de Lisboa.
Questionada sobre se se inspiram também especificamente nos protestos em França, que começaram como um movimento estudantil a exigir melhorias nas escolas mas que teve uma escalada violenta, Matilde Ventura não respondeu diretamente. Disse antes que "somos inspirados por estarmos a ver o povo a levantar-se", tanto no estrangeiro, como em Portugal.
Em comunicado enviado às redações, os dois movimentos assumem que se uniram "para exigir futuro". Com o mote "Ocupamos as ruas para exigir habitação, ocuparemos as escolas para exigir educação", os coletivos de estudantes querem "mudanças a nível educacional, como a remodelação de escolas, aumento do investimento em educação, garantia de professores e justas condições de acesso ao ensino superior, mas também a nível climático e internacional, exigindo o fim do investimento na guerra, que ocorre em detrimento dos investimentos em transição energética".