Estudantes do Politécnico de Beja protestam contra eventual aumento de propinas

Alunos das quatro escolas do Instituto Politécnico de Beja (IPB) manifestam-se hoje numa vigília de protesto contra o eventual aumento de propinas no próximo ano lectivo e para reclamar a criação de cursos de mestrado.

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O protesto dos alunos, organizado pelas associações de estudantes das quatro escolas do IPB, vai decorrer, a partir das 21:30, junto ao edifício dos serviços comuns daquela instituição de Ensino Superior.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Mendes, porta-voz das associações de estudantes, explicou que a vigília pretende "contestar para evitar o possível aumento de propinas no próximo ano lectivo".

"Existem fortes possibilidades de algumas escolas do IPB aumentarem o valor das propinas no próximo ano lectivo", referiu Carlos Mendes, salientando que "há estudantes que não podem suportar sucessivos aumentos de propinas".

"Este ano lectivo, em três das quatro escolas do IPB, as propinas, que anteriormente rondavam os 500 euros, aumentaram mais de 200 euros, sem quaisquer contrapartidas", lamentou.

Um aumento que os alunos consideram "injusto" e, por isso, de acordo com Carlos Mendes, "vão exigir ao Governo que, em vez de sacrificar os estudantes, invista mais para melhorar as condições e a qualidade do Ensino Superior".

Actualmente, os alunos das escolas superiores de Educação, Saúde e Agrária do IPB pagam 700 euros de propinas, mais 100 euros do que os estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTIG).

Nesta escola, que funciona há noves anos em instalações provisórias longe do "campus" do IPB, o valor das propinas é menor para "compensar" os custos das deslocações dos alunos.

De acordo com Carlos Mendes, os alunos vão também "exigir a criação de cursos de mestrado nas escolas do IPB".

Observando que, após a aplicação do Processo de Bolonha, "a duração e os currículos das licenciaturas foram reduzidos", Carlos Mendes disse que "há alunos que querem aprofundar os seus conhecimentos e prosseguir os estudos para se especializarem nas suas áreas".

Além das razões de protesto comuns a todos os alunos do IPB, acrescentou Carlos Mendes, "cada escola vai denunciar e reclamar os seus problemas específicos".

No caso dos alunos da ESTIG, a única escola do IPB que não possui edifício próprio e construído de raiz, os alunos vão "reclamar a construção efectiva do edifício definitivo", uma reivindicação antiga.

Ao longo dos últimos anos, professores e alunos queixaram-se das "condições deploráveis" das actuais instalações, situadas a mais de dois quilómetros do "campus" do IPB, onde funcionam a cantina, biblioteca, serviços comuns e as restantes escolas.

Contactado pela agência Lusa, o presidente do IPB, José Luís Ramalho, apesar de "desconhecer" o protesto programado pelos alunos, considerou "estranhas" as razões da vigília.

Salientando que "a decisão de manter ou aumentar o valor das propinas é uma competência exclusiva de cada escola" e que "terá de ser tomada até ao final do mês", o responsável disse que, "até agora, nenhuma escola do IPB manifestou a intenção de aumentar as propinas no próximo ano lectivo".

Quanto aos mestrados, José Luís Ramalho disse que o IPB, através de parcerias com outras instituições de ensino, já tem a funcionar quatro cursos de mestrado (três na Escola Superior de Educação e um na Agrária).

Por outro lado, continuou, o IPB "já candidatou vários outros cursos de mestrado", que "aguardam aprovação" pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) e "alguns deverão começar a funcionar no próximo ano lectivo".

No que respeita à construção da nova ESTIG, José Luís Ramalho revelou que o MCTES "concedeu despacho favorável para a abertura do concurso da construção da primeira fase do edifício da ESTIG, no valor máximo de 3,3 milhões de euros".

"O IPB está apenas a aguardar a conclusão da elaboração do Caderno de Encargos, para lançar o concurso público", acrescentou, prevendo que "é possível que a construção da nova ESTIG arranque no final do próximo Verão".

Lembrando que o prazo de execução da obra é de um ano e meio, José Luís Ramalho previu ainda que, "se não se verificarem mais atrasos, a nova ESTIG poderá estar concluída e entrar em funcionamento durante o primeiro semestre de 2009".

Segundo o responsável, somando os 1.6 milhões de euros de financiamento próprio do IPB ao saldo de 400 mil euros proveniente da verba contemplada no PIDDAC de 2006 e no de 2007, "o IPB já dispõe de cerca de metade do financiamento da obra, orçada em cerca de 4 milhões de euros".

"A outra metade será financiada através de candidaturas a programas comunitários", acrescentou.

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