Estudo da NOVA-IMS. Ponto forte do SNS é a qualidade dos profissionais

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O investimento no Serviço Nacional de Saúde em 2018 permitiu um retorno de 5,1 mil milhões para a economia
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Para os utentes, a qualidade dos profissionais é o ponto mais forte do Serviço Nacional de Saúde e um dos que deve ser valorizado. Os dados resultam de um estudo da NOVA Information Management School (NOVA-IMS), da Universidade Nova de Lisboa, que aponta ainda que o investimento no SNS em 2018 permitiu um retorno de 5,1 mil milhões para a economia.

O Índice de Saúde Sustentável desenvolveu este ano um indicador novo, o índice de atuação preferencial, uma avaliação que os utentes fazem do que determina a qualidade dos cuidados de saúde e da importância que lhe atribuem.

Nesse indicador, a qualidade dos profissionais de saúde tem uma avaliação de 78,3 (numa escala de 0 a 100).

O estudo aponta eventuais caminhos. A qualidade dos profissionais “é de tal forma determinante, de tal forma importante para a perceção global da qualidade que a pequena margem de evolução que ainda existe tem um efeito marginal muito grande na satisfação dos utilizadores”, diz Pedro Simões Coelho, coordenador do estudo.

Nos pontos fracos do sistema estão o tempo de espera e a acessibilidade, refere o responsável pelo estudo, que ressalva que os resultados são "globalmente positivos".

Segundo o índice de atuação preferencial, que estabelece prioridades e distribui a percentagem de investimento para cada determinante, a qualidade dos profissionais de saúde têm um peso de 31 por cento, a facilidade de acesso 27 por cento, os tempos de espera entre a marcação e a realização dos atos médicos 17 por cento.

"Juntando os dois (qualidade dos profissionais de saúde e facilidade de acesso), estimamos que quase 60 por cento do esforço do SNS deveria ser colocado nestas duas dimensões e os outros 40 por cento distribuídos nas restantes dimensões", disse Pedro Simões Coelho.
Investimento permitiu retorno de 5,1 mil milhões
De acordo com o estudo hoje divulgado, o investimento no Serviço Nacional de Saúde em 2018 permitiu um retorno de 5,1 mil milhões para a economia tendo em conta o impacto dos cuidados de saúde no absentismo e na produtividade.

Cerca de metade do valor investido no SNS em 2018 retornou para a economia, tendo em conta tanto os dias de ausência laboral que o SNS permitiu evitar como a produtividade destes trabalhadores.

"O SNS, seja por via da redução do absentismo e por via do aumento da produtividade, terá tido um impacto económico na sociedade que pode ultrapassar os cinco mil milhões de euros. Se pensarmos bem, corresponde a metade do investimento que o SNS fez no próprio ano de 2018. Não pode deixar de nos impressionar que, no próprio ano em que é feito, o investimento seja retornado à sociedade só pela participação no mercado de trabalho", refere o coordenador do estudo.

Segundo o trabalho da NOVA-IMS, em média, os portugueses faltaram quase seis dias (5,9) ao trabalho em 2018, o que resultou num prejuízo de 2,2 mil milhões de euros.

No entanto, a prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de outros dois dias (2,4), o que representa uma poupança de 894 milhões de euros.

A redução da produtividade também foi medida neste estudo, que refere que por motivos de saúde terá existido uma perda equivalente a 12,3 dias de trabalho, o que se traduz num prejuízo de 4,6 mil milhões de euros. Contudo, o SNS permitiu evitar outros 6,8 dias de trabalho perdidos, resultando numa poupança de 2,5 mil milhões.

Pedro Simões Coelho destaca ainda o facto de o Serviço Nacional de Saúde ter tido um contributo de 20 pontos (numa escala de 0 a 100) na qualidade de vida e no estado de saúde dos portugueses.
Índice de sustentabilidade desce
O valor do índice de sustentabilidade baixou em 2018 de 103.0 para 100.7 pontos, mas apesar desta descida o estudo destaca o aumento da satisfação e confiança dos utentes e uma subida da atividade do SNS em 2,5 por cento.

O crescimento de 2,5 por cento da atividade do SNS (hospitais e cuidados de saúde primários), é a mais alta dos últimos quatro anos. Em sentido positivo, ainda a redução da dívida vencida em 370 milhões de euros, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2017.

Em sentido inverso, houve um crescimento da despesa na ordem dos 2,9 por cento, um pouco mais elevado do que o crescimento da atividade (2,5 por cento), o que significa uma redução da produtividade e uma diminuição do índice de sustentabilidade. Destaque ainda para uma redução da qualidade técnica dos serviços.

O estudo avaliou igualmente o índice global do estado de saúde dos portugueses, que se encontra nos 74,4 pontos, numa escala de 0 a 100 (estado de saúde ideal). Se a este índice fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria pelos 54,6 pontos.
Taxas moderadoras afastam menos utentes
Quanto ao acesso ao SNS e às taxas moderadoras, o estudo indica que os portugueses têm uma ideia de valores acima dos realmente praticados, seja nas consultas com o médico de família ou nas consultas externas/especialidade nos hospitais, julgando inclusive que há lugar a taxa moderadora em caso de internamento, quando tal já não acontece.

Segundo o estudo, apesar dos utentes se mostrarem mais críticos em relação à adequação dos preços, nomeadamente do preço das taxas moderadoras (27 por cento consideram-nas inadequadas), a atividade não realizada devido aos custos baixou.

Em 2018, devido aos custos das taxas moderadoras terão ficado por realizar 503.749 episódios de urgência, valor que no ano anterior ultrapassava os 900.000.

Se às taxas moderadoras se acrescentarem as despesas de deslocação, a conclusão é idêntica: os custos têm cada vez menos impacto.

No caso da consulta externa/especialidade num hospital público, por exemplo, não foram realizadas 637.132 consultas, o que representa uma redução de 3,4 por cento na atividade perdida relativamente a 2017, ano em que ficaram por realizar mais de um milhão de consultas.

Em relação ao custo dos medicamentos, subiu a percentagem (89,8, mais 0,7) de pessoas que disseram ter tomado no último ano medicamentos prescritos por um médico, assim como a percentagem dos que os tomam no âmbito de uma terapêutica prolongada (passou de 59,5 para 68,1).

Por outro lado, baixou de 10,8 para 8,9 a percentagem dos que, por questões financeiras, não compraram algum dos medicamentos prescritos pelo médico.

c/ Lusa

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