Estudo da Universidade do Minho. Jejum intermitente pode beneficiar obesos e hipertensos

Um estudo realizado por alunos de Medicina da Universidade do Minho chegou à conclusão de que a realização de jejum de forma intermitente, sobretudo em dias alternados, tem mais efeitos positivos em pessoas que são obesas ou têm diabetes, colesterol anormal e tensão alta.

Nuno Patrício - RTP /
O estudo foi realizado pelos investigadores e alunos de mestrado em medicina Ana Inês Silva e Manuel Direito, da UMinho Foto: UMInho - DR

As conclusões estão num estudo do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho, tendo sido já publicado na revista científica internacional Journal of Clinical Medicine.


Créditos: ICVS - MD/UMinho . Direitos Reservados

O trabalho analisou mais de uma centena de artigos científicos publicados no mundo sobre os tipos de jejum em curtos períodos de tempo (de dias alternados, de restrição de tempo, jejum religioso) e os seus efeitos no relógio biológico de pessoas saudáveis, obesas e com doenças como diabetes e síndrome metabólica.Este estudo sugere que as pessoas obesas e com síndrome metabólica são as mais beneficiadas com intervenções neste âmbito, tendo melhorias na pressão arterial, na regulação dos lípidos e na redução de gordura acumulada.

Também para pessoas que padecem da diabetes tipo 2, o impacto que este tipo de regime alimentar apresenta surge associado à regulação dos níveis de insulina e glicose.

O estudo acrescenta que os efeitos do jejum intermitente dependem do estado de saúde de cada pessoa e dos fatores de risco associados.

O trabalho foi realizado nos últimos dois anos pelos alunos Ana Inês Silva e Manuel Direito, no âmbito de uma disciplina do mestrado integrado em Medicina da Universidade do Minho.

Ana Inês Silva e Manuel Direito consideram que a investigação científica é “fundamental e essencial” para o percurso de um médico e referem que as investigações permitem "adquirir competências completamente diferentes daquelas lecionadas durante o curso", explicam. "Além disso, a Medicina uma ciência em constante evolução, só com literacia nesta área é possível interpretar corretamente a nova evidência científica."

O esforço foi agora reconhecido com a publicação deste artigo científico, que teve a coautoria e supervisão das docentes Filipa Pinto-Ribeiro e Paula Ludovico e da investigadora Belém Sampaio-Marques, todas do ICVS.

"Ter este artigo numa revista internacional era o nosso objetivo desde o início, é um sentimento incrível; por outro lado, estamos a alertar a sociedade para os impactos das práticas de jejum", confessa a investigadora Inês Silva.

Também o investigador Manuel Direito recorda a “enorme felicidade” quando chegou o email da revista a anunciar serem “primeiros autores” do artigo.

Ambos sentem-se agora ainda "mais motivados" a querem aproveitar a tese de mestrado para integrar um novo projeto científico.

Os dois alunos do quarto ano de Medicina da Universidade do Minho consideram que a investigação "é fundamental e essencial" para o percurso de um médico. "No curso adquirimos competências diferentes e, além disso, a Medicina está em constante evolução e só com literacia é possível interpretar corretamente a nova evidência científica", sublinham.
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