Estudo revela taxa elevada de infecções por fungos nos hospitais

Um estudo efectuado em 2004 no Hospital S. João, no Porto, revelou existir uma taxa elevada de infecções por fungos em doentes hospitalizados, anunciou hoje a Faculdade de Medicina do Porto.

Agência LUSA /

O estudo, decorrente da tese de mestrado de Ana Sofia Oliveira Morais, indicou uma taxa de incidência de infecções por fungos (fungémia) de 3,17 por 10 mil doentes diários e uma mortalidade bruta desta patologia próxima dos 40 por cento.

Ana Sofia Morais disse à agência Lusa que analisou 117 doentes, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2004, tendo constatado que "perto de 40 por cento tiveram uma morte relacionada com fungémia", ainda que esta infecção possa não ter sido a causa principal do óbito.

A investigadora explicou que a presença de fungos no sangue, causadora da fungémia, é frequente em doentes que têm o sistema imunológico debilitado ou que foram submetidos a intervenções cirúrgicas, nomeadamente ao estômago e/ou intestinos, o que o seu estudo veio confirmar.

Em 30 por cento dos casos estudados, os doentes infectados estavam internados em unidades de cuidados intensivos, 24 por cento em serviços de cirurgia, 21 por cento em hematologia clínica e 11 por cento no serviço de doenças infecciosas.

Ana Sofia Morais referiu que a fungémia pode ser exógena, nomeadamente quando os fungos são transportados por instrumentos clínicos, ou endógena, quando os fungos existentes no organismo conseguem entrar no sangue.

"O maior reservatório de fungos que temos é o intestino. Os fungos são oportunistas e, por isso, aproveitam lesões internas, como a quebra da barreira que é a mucosa gastrointestinal, para se expandirem", afirmou.

A investigadora confirmou também no estudo uma elevada prevalência de infecções exógenas, através da alimentação parentérica (fora do aparelho digestivo), da introdução de sondas ou de drenos cirúrgicos (para evacuar sangue ou outros fluidos) e da utilização de cateteres nas mais variadas infusões venosas.

Segundo a autora do estudo, "a incidência de fungémia aumentou drasticamente nos últimos 20 anos, pelo que é importante conhecer a prevalência destas infecções em Portugal e os factores de risco, para, a partir daí, se implementar uma estratégia preventiva".

A investigadora do Serviço de Microbiologia da Faculdade de Medicina do Porto disse que a sua tese de mestrado constituiu um "estudo-piloto" pioneiro em Portugal, que poderá contribuir para o desenvolvimento de uma base de dados para outros estudos do género.


PUB