Euro-2004 custou 41 milhões euros à Câmara do Porto e representa 37pc da dívida

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, afirmou hoje no Porto que o campeonato europeu de futebol custou à autarquia cerca de 41 milhões de euros, representando cerca de 37 por cento da dívida total do município.

Agência LUSA /

Em termos globais, a dívida da Câmara do Porto, que se situa nos 155,4 milhões de euros, seria de 114 milhões se o campeonato não se tivesse realizado na cidade, pelo que o Euro2004 terá custado ao Porto cerca de 41 milhões de euros.

"Ou seja, o pagamento dos encargos resultantes das obras relacionadas com o Euro2004 prosseguirá nos próximos 20 anos, pelo que só terminará muito depois de boa parte dos jornalistas aqui presentes se terem reformado", frisou o autarca, que falava na apresentação do orçamento para 2005 do município do Porto.

Rio, que sempre se assumiu contra a realização do campeonato da Europa em Portugal por razões económicas, sublinhou que a dívida da autarquia a fornecedores se situa nos 31,1 milhões de euros, o que representa metade da existente em Janeiro de 2002 (63,2 milhões), quando assumiu a presidência da autarquia.

O autarca referiu que um dos objectivos deste orçamento é que no final de 2005 a dívida a fornecedores da autarquia se situe nos 10 milhões de euros, "o que na prática quer dizer que a Câmara do Porto estará a pagar aos fornecedores a 30 dias".

Rui Rio frisou, no entanto, que aquele objectivo poderá ser dificultado se o andamento em tribunal dos vários processos em que a Câmara está envolvida não for favorável.

O maior destes conflitos tem a ver com a decisão tomada por Rui Rio de inviabilizar a construção na periferia do Parque da Cidade, o que originou pedidos de indemnização por parte das empresas de construção envolvidas.

O autarca considera que "a característica mais saliente deste orçamento é o facto de não ter novidade nenhuma", já que o documento reflecte a manutenção dos objectivos desde 2002 assumidos pelo executivo autárquico.

No capítulo dos investimentos, a prioridade vai para a habitação social, à qual Rio dedica 28 milhões de euros, sendo 20 milhões destinados à reabilitação dos bairros já existentes.

"Trata-se de um investimento na coesão social e espero que a classe média compreenda que, embora destinado às classes mais carenciadas, este investimento reverterá também de forma muito positiva para a qualidade de vida de todos, pois permite combater a desigualdade e melhorar a situação de insegurança", afirmou.

No capítulo da requalificação urbana destaca-se a actividade a desenvolver pela Sociedade de Requalificação Urbana (SRU) e o investimento em projectos de melhoria da mobilidade, o mais emblemáticos dos quais é a construção do Túnel de Ceuta (7,6 milhões de euros).

A beneficiação de pavimentos e viadutos (12,7 milhões de euros, a realizar em parceria com o Metro do Porto) e a sinalização de tráfego (1,831 milhões de euros) são outros projectos a destacar nesta área.

O investimento em estruturas de educação absorverá 5,836 milhões de euros, a manutenção e funcionamento de equipamentos desportivos tem uma verba de 4,395 milhões de euros, enquanto a valorização dos espaços verdes custará à autarquia 13,9 milhões de euros.

O programa "Porto Feliz", de combate à exclusão social, terá um aumento de dotação de 10 por cento, enquanto a área da cultura manterá a mesma dotação dos anos anteriores (370 mil euros).

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