Ex-advogado das vítimas acusa Casa Pia de "sacudir responsabilidades"
O ex-advogado das vítimas da Casa Pia João Medeiros acusou hoje a instituição de ter "sacudido as responsabilidades" na forma como denunciou o "lapso" que excluiu Paulo Pedroso da lista de arguidos a quem vai ser pedida indemnização.
Na quarta-feira, a provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, afirmou, em comunicado, que foi "por lapso" que o pedido de indemnização não contemplou o nome do deputado socialista Paulo Pedroso.
"O pedido de indemnização civil deduzido pela Casa Pia de Lisboa, apesar de subscrito por todos os mandatários, foi elaborado pelo dr. João Medeiros, que, por lapso, não contemplou o nome daquele arguido", acrescentava o comunicado assinado pela provedora, em resposta a uma notícia do Diário de Notícias que avançou que "Paulo Pedroso foi o único arguido do processo de pedofilia da Casa Pia a quem a instituição de ensino não pediu uma indemnização cível".
Em comunicado hoje enviado à Agência Lusa, João Medeiros acusa a Casa Pia de "sacudir responsabilidades a qualquer custo" e lamentou a "pessoalização" de que foi alvo.
"Não posso deixar de lamentar a pessoalização de que fui alvo, traduzida numa estratégia que considero no mínimo pouco ética e que visou apenas sacudir as responsabilidades a qualquer custo", afirma o advogado.
"Esperava mais sentido de responsabilidade de quem tem a seu cargo a formação de jovens personalidades", acrescenta.
João Medeiros confirma que houve um "lapso no pedido de indemnização civil", "traduzido na não indicação no cabeçalho do nome do arguido Paulo Pedroso".
O advogado, que confirma igualmente ter elaborado o documento, esclarece ainda que esse lapso apenas se deu no cabeçalho, já que, no corpo do pedido figura a expressão "na conduta dos arguidos, no seu conjunto".
"Esclareço, porém, que aquilo que elaborei foram documentos de trabalho, que foram discutidos em sede própria e aos quais a senhora provedora teve acesso", indica João Medeiros no comunicado enviado à Lusa.
"No dia da +conversão+ final dos documentos de trabalho em pedidos de indemnização civil, a senhora provedora encontrava-se presente, tendo participado activamente nos trabalhos", sublinha.
João Medeiros explica ainda que solicitou ao Conselho Distrital da Ordem dos Advogados dispensa do segredo profissional para comentar as declarações de Catalina Pestana, autorização que hoje lhe foi concedida.
"A dispensa de segredo profissional foi-me hoje concedida, autorizando-me apenas e só ao envio do presente telefax", esclarece.
Depois da notícia divulgada quarta-feira pelo Diário de Notícias, Catalina Pestana afirmou que Paulo Pedroso vai ser incluído na lista de arguidos a quem a Casa Pia de Lisboa vai pedir indemnizações pelos danos causados ao bom nome da instituição.
"Dado o elevado número de vítimas, em primeiro lugar, e de arguidos, depois, considerou-se ser necessário distribuir os diversos pedidos de indemnização pelos diversos advogados que integravam a equipa" anteriormente coordenada por Proença de Carvalho, acrescentou ainda a provedora, justificando o "lapso".
ARP.
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