Ex-ministro António Mexia repudia "envolvimento" no "mensalão"
O ex-ministro das Obras Públicas encontrou-se hoje, em Lisboa, com o embaixador do Brasil e reiterou o "repúdio à tentativa de envolvimento do seu nome em questões de política interna do Brasil", revelou António Mexia em comunicado enviado à Lusa.
No encontro, que teve lugar ao início da tarde, Mexia diz que teve "a oportunidade de manifestar ao senhor embaixador o total repúdio à tentativa de envolvimento do seu nome, em questões de política interna do Brasil".
O antigo ministro adianta que repetiu as suas "únicas e definitivas declarações sobre a visita de cortesia concedida ao senhor Marcos Valério, a pedido e na presença do presidente executivo da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa".
Marcos Valério é um publicitário brasileiro, cujo o nome tem estado envolvido no escândalo da captação ilegal de financiamentos para partidos políticos no Brasil.
"Nessa breve visita, de duração aproximada de 10 minutos - e pela sua natureza de cortesia - foram abordados tópicos genéricos, como a evolução económica do Brasil e a importância do investimento estrangeiro, onde Portugal e a PT têm um papel de destaque", explica o antigo ministro das Obras Públicas português.
"Não o tendo visto antes, não o voltei a encontrar", conclui Mexia, em comunicado.
O encontro de Mexia com Marcos Valério foi quarta-feira mencionado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pelo deputado Roberto Jefferson, o principal autor das denúncias de corrupção no governo do presidente Lula da Silva, em Brasília.
Os contactos foram, segundo Jefferson, com o BES e com o então ministro de Obras Públicas, Transportes e Comunicações de Portugal, António Mexia.
Segundo o deputado, a operação envolveria a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo, um dos principais accionistas da empresa, e renderia 100 milhões de reais ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mas não teria sido realizada.
A operação incluiria a transferência de 600 milhões de dólares do Instituto de Resseguros do Brasil (uma empresa estatal brasileira) depositados num banco do Reino Unido para o BES.
Em contrapartida, os dois partidos PT e PTB receberiam cerca de 100 milhões de reais do Banco Espírito Santo, afirmou o deputado Roberto Jefferson.
No passado dia 16, o jornal português Expresso citava o deputado Arnaldo Sá de Faria, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que havia apresentado um requerimento indicando que tinha informações "de que Marcos Valério se encontrou com Mexia a mando do Governo brasileiro para tratar da venda da Varig à Tap e da transferência de contas do Instituto de Resseguros Brasileiro (IRB) para o Banco Espírito Santo".
A Presidência da República brasileira esclareceu hoje que o publicitário Marcos Valério nunca foi autorizado a apresentar-se como "consultor do Presidente do Brasil", cargo com o qual foi recebido pelo antigo ministro português António Mexia.
Em comunicado, a Presidência da República "nega enfaticamente que Marcos Valério tenha sido, em qualquer momento, autorizado a apresentar-se como +consultor do Presidente do Brasil+ junto ao governo português ou em qualquer outra situação".
AMR/MAN.
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