Ex-ministro Arlindo Carvalho constituído arguido

O antigo ministro da Saúde Arlindo Carvalho e dois administradores da sociedade de exploração e gestão imobiliária Pousa Flores foram constituídos arguidos no processo do Banco Português de Negócios (BPN). A agência Lusa noticia, com base numa fonte ligada ao processo, que os três novos arguidos são ouvidos esta segunda-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

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As casas e escritórios de Arlindo Carvalho e Dias Loureiro foram alvo de buscas no final da semana passada RTP

Os nomes do antigo ministro da Saúde de Cavaco Silva e dos dois administradores da empresa de gestão e exploração imobiliária juntam-se, no conjunto de arguidos do processo, a Oliveira e Costa, antigo presidente do BPN, e Dias Loureiro, antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e ministro da Administração Interna no XII Governo Constitucional.

As residências e escritórios de Arlindo Carvalho e Dias Loureiro foram alvo de buscas no final da semana passada, entre quinta e sexta-feira. As diligências decorreram no quadro das investigações do processo BPN, desencadeado por indícios de práticas ilícitas de gestão e de aquisição danosa, mediante crédito outorgado pelo banco da SLN, de acções sobrevalorizadas, empresas e terrenos.

Notícias recentes revelaram que a sociedade Pousa Flores, à qual o antigo ministro Arlindo Carvalho tem ligações, adquiriu activos ao grupo Ricardo Oliveira com recurso a crédito do BPN. O valor dos negócios, concretizados entre 2005 e 2007, ascendeu a cerca de 75 milhões de euros. A operação terá acarretado prejuízos financeiros para o BPN, que assumiu a compra dos activos.

Dias Loureiro em silêncio

Confrontado pela Lusa com as notícias sobre as buscas efectuadas na sexta-feira, Dias Loureiro recusou-se a fazer quaisquer comentários: "Não falo sobre isso. Não digo nada".

A 1 de Julho, o antigo conselheiro de Estado foi ouvido, enquanto arguido, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), chefiado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida. Na base da inquirição estiveram os negócios da aquisição da empresa porto-riquenha Biometrics, em 2001, e da venda da Redal, uma concessionária de águas com sede em Marrocos.

"Pude esclarecer aquilo que pude esclarecer", adiantava então Dias Loureiro à saída do DCIAP, acrescentando que fora "confrontado com documentos que nunca tinha visto" e que "aceitava as coisas como elas são". O antigo governante social-democrata aproveitou ainda o momento para reafirmar que não cometeu "nenhuma ilegalidade".

Dias Loureiro foi ouvido por duas ocasiões na comissão de inquérito parlamentar à nacionalização do Banco Português de Negócios. Durante os depoimentos, os deputados da comissão divisaram omissões e contradições nas palavras do antigo ministro, que, no final de Maio, pedia à Procuradoria-Geral da República para ser ouvido no âmbito do inquérito criminal, apoiando-se no direito ao bom-nome.

Uma fonte ligada ao processo indicou à agência Lusa que Oliveira e Costa vai ser ouvido terça-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal. O juiz Carlos Alexandre deverá decidir se mantém o antigo presidente do BPN em prisão preventiva, a medida de coacção que lhe foi aplicada a 20 de Novembro do ano passado.

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