Ex-presidente da ARS/Algarve afirma que estudos para novo hospital ficaram concluídos

A ex-presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve afirmou hoje ter deixado concluído o plano estratégico do novo Hospital Central da região e adiantou que o concurso para a construção da unidade poderia avançar em Agosto.

Agência LUSA /

Assunção Martinez reagia assim ao anúncio do Ministério da Saúde de que só encontra justificação para cinco dos dez hospitais prometidos pelo anterior executivo, pretendendo agora encomendar estudos técnicos para as restantes unidades, entre as quais a do Algarve.

"Não sei a que estudos é que o senhor ministro se refere quando diz que estão em falta", disse Assunção Martinez, que deixou há poucos dias o lugar que ocupou durante os Governos de Durão Barroso e Santana Lopes.

A responsável sustentou que, se tais estudos forem de natureza financeira, é "porque o Governo decidiu alterar a estratégia já pensada nessa área, no que respeita à natureza público-privada do hospital", pelo que tem que negociar com Bruxelas, afim de integrar os financiamentos no próximo Quadro Comunitário de Apoio.

O Ministério da Saúde anunciou terça-feira que a obra não estava em condições de avançar - à semelhança do que aconteceria com outros quatro hospitais - porque o anterior Governo não tinha feito os estudos preparatórios indispensáveis para que pudesse ser posta a concurso, num modelo muito semelhante às parcerias público-privado.

Quarta-feira, o primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu que a promessa eleitoral do Partido Socialista de construir o Hospital Central do Algarve vai ser cumprida e explicou que Correia de Campos alertara apenas para a falta de estudos.

No entanto, a ex-presidente da ARS do Algarve diz que, quando deixou o lugar, "estavam reunidas as condições" para que o concurso de concepção, construção e gestão da unidade hospitalar avançasse já em Agosto deste ano, pois os estudos estavam concluídos.

"Foram feitos dois estudos técnicos, que resultaram em dois documentos sobre a viabilidade e características desejáveis para o novo hospital, um deles feito pela empresa privada Sodec e outro resultante de uma parceria entre a ARS/Algarve, Direcção Regional de Saúde e o Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIFS).

De acordo com a ex-responsável pela Saúde no Algarve, os estudos, com base nos quais foi produzido o plano estratégico do novo hospital, analisaram exaustivamente quais as situações em que os utentes algarvios procuram os serviços dos hospitais de Lisboa, afim de evitar mais deslocações à capital.

Dos documentos consta o número de camas que o hospital deverá ter (cerca de 630) e as valência a contemplar, designadamente muitas que não existem no actual hospital distrital, como cirurgia cardiotoráxica, cirurgia vascular, hamatologia e pediatria cirúrgica.

Segundo Assunção Martinez, o projecto que resulta do plano estratégico é muito semelhante, em vários aspectos, ao do novo hospital de Braga, um dos cinco que deverá avançar já.

"Não sei que mais estudos é que são precisos", disse, congratulando-se contudo com a garantia deixada por José Sócrates, segundo o qual a promessa eleitoral do PS seria cumprida.

Contudo, lamentou que a eventual requalificação do financiamento do projecto, de forma a constar do novo Quadro Comunitário de Apoio que entra em vigor em 2007, "possa atrasar tremendamente o projecto".


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