Ex-Presidente Ramalho Eanes defende tese de doutoramento

O ex-Presidente da República Ramalho Eanes defende, quinta-feira, na Universidade de Navarra, em Espanha, a sua tese de doutoramento, intitulada "Sociedade Civil e Poder Político em Portugal".

Agência LUSA /
Tese em Espanha DR

A tese de Ramalho Eanes, que foi o primeiro Presidente português eleito por sufrágio universal, tendo ocupado o cargo por dois mandatos, entre 1976 e 1 986, vai defender a tese na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de N avarra pelas 18:30.

Na sua dissertação, o ex-Chefe de Estado português analisa a evolução p olítica do País desde a queda da I República passando pela ditadura de Salazar, o 25 de Abril de 1974, o 25 de Novembro de 1975, o desenvolvimento do sistema de mocrático e o seu abandono da política activa após o fracasso do Partido Renovad or Democrático nas eleições de 1987.

Noutra parte da tese, Ramalho Eanes aborda as debilidades da Constituiç ão aprovada em 1976, que acusa de não ter contribuído para "instaurar uma verdad eira sociedade civil com liberdade e sentido de responsabilidade" por não implic ar de forma activa os portugueses.

O general refere-se ainda à actual situação de crise do Estado portuguê s, às relações entre Portugal e Espanha e ao papel do seu País no seio da União Europeia.

A tese "Sociedade Civil e Poder Político em Portugal" tem por base a an álise de diversos autores portugueses e estrangeiros e de comentários publicados nos meios de comunicação social, a isso se acrescentado a reflexão pessoal de E anes acerca dos acontecimentos.

O ex-Presidente da República termina o seu estudo apelando a um diálogo "comprometido e comprometedor" entre o Governo e "uma sociedade civil politicam ente desperta", uma vez que apenas "com essa difícil mas imperativa conjugação e ntre política, pensamento e acção é possível colocar novamente em marcha uma ave ntura em que o povo tenha vontade de participar".

O júri da tese será composto por Jorge Miranda, catedrático de Ciências Jurídico-Políticas da Universidade de Lisboa; Manuel Braga da Cruz, reitor e ca tedrático de Sociologia Política da Universidade Católica de Portugal e Alejandr o Llano, catedrático de Metafísica da Universidade de Navarra.

Integram ainda o júri Agustín González Enciso, catedrático de História Moderna e Contemporânea da Universidade de Navarra, e Enrique Martín López, cate drático de Sociologia e Filosofia do Direito da Universidade Complutense de Madr id.

O doutorando Ramalho Eanes dedica a sua tese aos portugueses a Portuga l, com os desejos de "um futuro de liberdade feliz e responsável e de cidadania real".

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