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Ex-provedor Casa Pia Luís Rebelo depõe como testemunha

Ex-provedor Casa Pia Luís Rebelo depõe como testemunha

O tribunal que julga o processo Casa Pia vai ouvir na sexta-feira como testemunha Luís Rebelo, provedor da instituição até rebentar o escândalo de pedofilia em 2002 e que nunca foi ouvido durante o inquérito ou instrução do caso.

Agência LUSA /

De acordo com fonte ligada ao processo, Luís Rebelo, que ocupou o cargo de provedor da Casa Pia durante 16 anos, foi arrolado como testemunha pelo tribunal e pela defesa do ex-provedor adjunto Manuel Abrantes, seu subordinado na instituição.

A audição do ex-provedor, que nunca foi ouvido pelas autoridades durante o inquérito do caso, deverá decorrer à porta fechada, apesar de os jornalistas que fazem a cobertura do caso terem já manifestado ao tribunal a sua discordância por este facto, já que não estão a ser ouvidas as vítimas.

Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes, é também favorável à presença dos jornalistas na sala e anunciou hoje, à saída da 152ªa sessão, que irá fazer um requerimento nesse sentido.

"É de manifesto interesse público saber porque é que o provedor Luís Rebelo nunca foi ouvido em inquérito e porque é que agora é ouvido à porta fechada", afirmou Paulo Sá e Cunha, vincando que o testemunho do ex-provedor devia ser tornado público através da comunicação social acreditada para estar presente na sala.

Paulo Sá e Cunha recordou que o testemunho da actual provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, que é assistente no processo, e o da testemunha Pedro Namora (ex-aluno casapiano) ocorreram na presença da comunicação social.

Na sessão de hoje, no recomeço do julgamento após o incidente de recusa da juíza presidente, Ana Peres, suscitado pela defesa do principal arguido, Carlos Silvino da Silva ("Bibi"), terminou de depor o preceptor Joaquim Rocha.

Joaquim Rocha, preceptor do Colégio de Pina Manique, da Casa Pia de Lisboa, já estava a depor quando o julgamento foi suspenso, a 24 de Fevereiro, na sequência do incidente de recusa da juíza.

O preceptor, que durante o seu depoimento afirmou que alunos da Casa Pia, após ter rebentado o escândalo, foram ter com ele e lhe contaram que foram vítimas de abusos sexuais por parte de arguidos no processo, disse hoje em julgamento que era "Bibi" quem atribuía alcunhas na instituição e que chamava "bate mal" a Manuel Abrantes.

Na sequência deste depoimento, o ex-motorista casapiano Carlos Silvino pediu para falar em tribunal para dizer que não punha alcunhas a ninguém e que não sabia que chamavam "bate mal" a Abrantes, relataram fontes ligadas ao processo.

O ex-motorista afirmou também que quando levava rapazes da Casa Pia aos treinos ou aos lares, usando carros da instituição, pedia sempre autorização para o fazer e que quando os transportava na sua viatura privada era porque os jovens lhe pediam boleia, acrescentaram as fontes.

O ex-provedor adjunto Manuel Abrantes pediu também para usar da palavra para precisar algumas incorrecções das suas declarações.

De acordo com as fontes, falou para fazer algumas precisões sobre o seu depoimento em tribunal e pediu para ser junto aos autos uma acta de uma reunião realizada a 27 de Novembro de 2002, a única a que presidiu como provedor, cargos que ocupou por apenas 24 horas.

Manuel Abrantes explicou - acrescentaram as fontes - que, ainda enquanto provedor adjunto, fez uma proposta ao provedor Luís Rebelo no sentido de aumentar as semanadas e os valores das prendas de Natal a oferecer aos alunos e antigos funcionários.

A reunião de 27 de Novembro, em que esteve presente o Conselho de Alunos, serviu para fazer críticas às notícias sobre o escândalo de pedofilia e acusações à instituição, mas também para deliberar sobre o valor das prendas e das semanadas, terá dito Manuel Abrantes, citado por fontes ligadas ao processo.

Os advogados que representam a Casa Pia requereram ao tribunal que Manuel Abrantes explique como é que teve acesso a este documento interno da instituição.


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