Fenprof apresenta queixa à Procuradoria-Geral da República
Os representantes da Fenprof já estão na Procuradoria-Geral da República para entregar uma queixa contra o Governo por causa dos problemas no processo dos exames nacionais e com o objetivo de "apurar responsabilidades". O secretário-geral da entidade anunciou que ainda há professores a receber itens para corrigir.
"Ao longo deste processo, o que foi exigido aos professores é que fizessem a classificação dos itens que iam sendo recebidos, sem todos os elementos necessários", afirmou.
Segundo o responsável, os professores iam recebendo as provas e "foram pressionados para dar classificações de provas, mas faltavam todos os elementos".
Como foi apontado nos últimos dias, "havia itens elegíveis, itens que faltavam". Tudo isto, para a Fenprof, "constitui uma prática de ilícito criminal, porque não são dadas todas as condições a quem quer classificar provas de exames nacionais".
Os resultados devem ser afixados durante a tarde desta sexta-feira. Mas José Feliciano Costa indicou que há informação de professores que ainda esta manhã têm estado a receber itens para corrigir.
O responsável voltou a desmentir que haja falta de professores classificadores.
"Há, neste momento, professores que se disponibilizaram para serem professores classificadores e não foram contactados ainda".
Resultados dos exames devem ser afixados esta tarde
Foram realizadas mais de 300 mil provas foram realizadas.
Exames nacionais. Milhares de alunos esperam divulgação das notas
Estava prevista para terça-feira mas foi adiada para esta sexta-feira a afixação das pautas dos exames nacionais do ensino secundário. Milhares de alunos aguardam a divulgação das notas das provas, num processo marcado por atrasos, problemas técnicos e falta de professores classificadores.
O ministro Fernando Alexandre que vai estar esta manhã no parlamento para um debate de urgência, requerido pelo PCP, sobre os exames nacionais.
O Movimento Missão Escola Pública acredita que as pautas vão aparecer mais logo nas escolas, como promete o Governo. No entanto, ao longo do dia de ontem nenhuma disciplina tinha pauta completa.
Assim, a porta-voz do movimento, Cristina Mota, considera que o prazo para publicar as notas deve estender-se até ao final da tarde.
"Até este momento (...) ainda não temos sinal que as classificações possam chegar às escolas. Temos que aguardar", frisou o presidente da Associação Nacional de Diretores das Escolas Públicas que acrescentou que o Governo não divulgou a que hora é que as classificações poderiam chegar.
Para Filinto Lima, "vai ser uma tarde longa. Estamos muito ansiosos para afixar as pautas. E os nossos alunos estão muito ansiosos para as consultar".
As classificações vão chegar às escolas por via digital e posteriormente em papel "onde os alunos realizaram as provas".
O presidente da Associação Nacional de Diretores das Escolas Públicas espera que "esta novela mexicana" termine e realçou que os professores "foram os heróis nacionais deste momento".
Antes deste esclarecimento à Agência Lusa, o EduQA, Instituto de Avaliação Educativa, em reunião com a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, durante a tarde, tinha dito que todo o acesso às provas tinha de ser feito através de pedido formal.1.ª fase marcada por vários constrangimentos
Com mais de 300 mil provas realizadas em papel, a implementação do processo de classificação digital, que acontece pela primeira vez, implicou a digitalização de milhões de folhas de resposta, posteriormente distribuídas pelos professores para classificação.
Os problemas começaram a surgir, desde logo, com o exame de Português – o primeiro realizado pelos alunos – que tardou a chegar aos classificadores por “dificuldades técnicas”, segundo o Júri Nacional de Exames (JNE).
Aos primeiros atrasos na disponibilização das provas, seguiram-se relatos de folhas mal digitalizadas, respostas incompletas por falta de folhas de continuação e dificuldades na plataforma de classificação.“[As dificuldades] estão a ser resolvidas, nós continuamos dentro dos prazos previstos”, afirmou o ministro da Educação, Ciência e Inovação no dia 29 de junho, seis dias após o arranque do processo de classificação.
Na mesma semana, o Governo acabou por anunciar o adiamento da divulgação dos resultados, de 14 para 17 de julho.
De acordo com o novo calendário, os professores teriam até às 23h59 do dia 14 de julho para classificar os exames nacionais – mais quatro dias do que inicialmente previsto –, mas, a poucas horas do fim do prazo, o Ministério prolongou-o por mais 24 horas.
Na altura, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) garantiu que o prolongamento do prazo não punha em causa a afixação das pautas, mas na quinta-feira ainda havia provas por classificar.
"Estamos com dificuldades em conseguir que haja professores classificadores para algumas provas", disse Fernando Alexandre na quinta-feira, justificando o atraso na conclusão do processo.
Por outro lado, na reta final do processo, os docentes continuavam a receber novos itens para classificar, devido a falhas identificadas durante a verificação e validação do sistema.Entre folhas de continuação com repostas e novas digitalizações, alguns professores tiveram mesmo de classificar itens que já tinham avaliado, merecendo, por isso, um pedido de desculpas por parte do ministro da Educação.
Depois da publicação das pautas, os alunos que queiram repetir a avaliação deverão inscrever-se na 2.ª fase, inicialmente prevista para começar a 16 de julho, mas que arranca apenas na tarde de 20 de julho e termina a 24 de julho, em vez de 22 de julho.