Exames nacionais. Fernando Alexandre aponta "alarmismo exagerado"

Exames nacionais. Fernando Alexandre aponta "alarmismo exagerado"

Confrontado com o ambiente de desconfiança que está a gerar a época de exames nacionais deste ano, o ministro da Educação considera "que houve muito ruído em torno deste processo".

Paulo Alexandre Amaral - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

Duas semanas depois de ter estado no Telejornal com críticas ao que via como “alarmismo” em volta dos exames nacionais, Fernando Alexandre voltou esta noite a considerar que há um “alarmismo exagerado” neste processo.

O ministro da Educação sublinhou na Grande Entrevista da RTP que o importante é que no final “estava garantido que os alunos teriam a nota correspondente ao trabalho que fizeram no seu percurso escolar, porque os exames estavam guardados em segurança nas instalações da Imprensa Nacional Casa da Moeda”.

“Houve um alarmismo exagerado porque os exames existem, estão guardados, estão protegidos e todas as situações que têm vindo a público [de erros e desconformidades] podem e têm vindo a ser corrigidas”, apontou o governante, admitindo ainda assim que “talvez devesse haver mais informação sobre o que implicava mudar para o digital”. 
Sobre essa mudança, Fernando Alexandre considera que “é muito importante (…) e é uma reforma para continuar”, estando Portugal “na primeira linha” dos países que estão a transitar nessa digitalização.

O responsável máximo pela pasta da Educação seria questionado sobre a existência de autoridade política para permanecer na liderança do ministério e para continuar a desempenhar funções governativas. Fernando Alexandre não tem dúvidas sobre essa questão: "Vim para Lisboa (...) para melhorar o nosso país (...) Eu acredito que tenho condições para continuar a fazer mudanças que estou a fazer no Ministério da Educação (...) Estou preparado para falhar e estou preparado para corrigir".

Os erros “são 680 casos em 290 mil”

Confrontado com os erros que continuam a surgir, com alunos afetados por notas erradas que lhes são atribuídas, o ministro da Educação quis garantir “todo o rigor e que cada erro identificado é corrigido”.

Neste ponto fez a distinção do erro: “Em todos os processos de avaliação há erros e uma das vantagens deste sistema digital é que os erros são transparentes e não é possível escondê-los, existem, são identificados e são com rapidez como é por vezes impossível em papel”.

“Em todos os processos de avaliação houve sempre erros”, defendeu Fernando Alexandre quando confrontado com essa sucessão de erros que têm vindo a público em relação à avaliação dos alunos do 12.º ano, que precisam de nota para se candidatarem ao Ensino Superior, para admitir que espera que “não ocorram na segunda fase”.

“São 680 casos em 290 mil”, assinalou o responsável máximo da Educação.

Esses 680 erros de digitalização representam 0,23% do total dos 290 mil exames.

Confrontado com os números das candidaturas ao Ensino Superior nos dois primeiros dias, 304 e 2.700 (quando no ano passado já havia 10.183 no primeiro dia e 16.000 no segundo), e questionado sobre a possibilidade de esta quebra abrupta de candidaturas poder dever-se a uma desconfiança no sistema, o governante lê a situação com a possibilidade de os estudantes estarem à espera de notas que estão a ser atualizadas.

O ministro lamentou depois o que disse ser a existência “de muitas notícias erradas” sobre este tema, “um ruído que era desnecessário”.
Fui eu, assume Fernando Alexandre
“Sim, a responsabilidade final foi minha”, sublinhou o ministro da Educação quando surgiu a questão sobre quem tinha decidido avançar com o processo de digitalização das provas.

Fernando Alexandre explicou que “estamos num processo de digitalização do nosso sistema de avaliação há mais de quatro anos e quando cheguei ao ministério em abril de 2024 estava previsto a realização de provas digitais do 9.º ano (..) numa semana avaliámos e concluímos que não havia condições para fazer esses exames digitais”.

“Mudámos os exames para papel e foi um grande risco porque nem havia papel” explicou, para adiantar que antes da digitalização de 2026, no ano passado, foram feitas 900 mil provas de ensaio ModA (Monitorização da Aprendizagem) em digital em todo o país, o que mostra que foi percorrido um caminho até ao novo processo deste ano.
A crítica ao ex-júri nacional

Sobre a existência ou não de uma avaliação e relatório relativo à primeira experiência do processo de digitalização com as provas de Filosofia do ano passado, Fernando Alexandre sublinhou por várias vezes que seria “uma leviandade” que não tivesse existido essa preocupação.

“Isso foi explicado pelo secretário de Estado adjunto ontem (terça-feira) no Parlamento. Houve reuniões e essas reuniões estão gravadas”, garantiu. 

“Há informação escrita de que o processo decorreu sem problemas de maior
(…) o Governo ouviu as entidades e decidiu vamos avançar para a avaliação digital e os termos em que se avança são feitos com o EduQA e o júri nacional de exames”.

“Fez-se a avaliação do piloto [exame de Filosofia] e concluiu-se que havia condições para realizar a avaliação digital”.

“Eu acho muito estranho que ele tenha saído sem escrever isso”, apontou o ministro, referindo-se ao ex-presidente do júri nacional de exames, que assinalou nestes dias ter detetado falhas na experiência com Filosofia. “Ele diz isso, mas não é a informação que nós temos escrita”.

"Este ministério era uma confusão"
Ao longo da entrevista, Fernando Alexandre deixou uma forte crítica a governos anteriores e à sua incapacidade para introduzirem mudanças, valorizando essa decisão do seu ministério, apesar - referiu - dos riscos que existem sempre que se fazem alterações a determinados processos.

"Ontem havia mais de 260 mil de 290 mil provas distribuídas aos alunos", mostrando que estes se interessam, assinalou, para dizer que haverá assim mecanismos para garantir toda a justiça na correção, "e isso é que é essencial".

O ministro referiu depois que o Ministério da Educação é o maior empregador do país, cinco vezes maior do que a rede Pingo Doce ou a rede Continente: "São cinco mil escolas, uma dimensão gigantesca e super-complexa".

"Nós temos risco todos os dias porque afetamos a vida de milhões de pessoas. E por isso é que este lugar é tão difícil. Quando cheguei a este ministério, este ministério era uma confusão".
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