Exército cede 80 depósitos para assegurar água às populações
O Exército vai disponibilizar 80 depósitos para o reforço do abastecimento de água às populações mais afectadas pela seca no Baixo Alentejo, sobretudo nos concelhos de Odemira e Mértola, anunciou hoje o governador civil de Beja.
O representante do Governo no distrito de Beja, Manuel Monge, falava à agência Lusa no final de uma reunião de trabalho no âmbito da Comissão para a Seca 2005, que decorreu naquela cidade alentejana.
"O objectivo da reunião foi analisar e planear o que deve ser feito, para estarmos preparados para encarar a grave situação de seca que aí vem nos meses de Verão, nomeadamente no que respeita ao abastecimento de água", justificou.
Neste capítulo, o governador civil adiantou à Lusa já ter acordado com a Região Militar Sul a disponibilização de meios do Exército para ajudar no fornecimento de água às populações, onde os furos e depósitos estejam secos.
"A Região Militar Sul tem um total de 80 depósitos de água. Uns são autotanques, outros são rebocados em atrelados e alguns são flexíveis, ou seja, sacos de lona impermeabilizados para levar água às populações mais dispersas", garantiu.
Para já, por forma a possibilitar que esses meios sejam testados e, em caso de necessidade, reparados a tempo, o Exército e a Protecção Civil do distrito de Beja vão realizar um exercício conjunto.
"Essa acção vai decorrer nos primeiros dias de Julho, na zona de Beja, porque é altura de colocar os meios do Exército no terreno, em articulação com a Protecção Civil", adiantou.
Numa primeira fase, quando os problemas no abastecimento público de água o imponham, os meios do Exército vão servir apenas os concelhos de Mértola e Odemira.
"São concelhos com uma área muito maior e núcleos populacionais mais dispersos do que os outros. Só como exemplo, Serpa tem 10 núcleos populacionais, enquanto que Mértola tem 110 e Odemira, o maior concelho do País, tem 90", frisou.
Além disso, Manuel Monge defendeu a necessidade de se reforçar a "sensibilização da população para a poupança de água", por verificar-se que "não há ainda grande motivação para esse problema".
"Ainda se vê gente a gastar muita água e a regar jardins ou a lavar automóveis em plena hora do calor. Vamos ter de insistir na consciencialização da população de que se aproximam medidas difíceis", frisou.
A identificação das principais fontes de água para o reforço do abastecimento público, nas zonas próximas dos concelhos da Margem Esquerda do Guadiana e de Odemira (os mais afectados), foi outro dos pontos em debate.
"As albufeiras de Alqueva, Santa Clara (Odemira) e Vareta (Margem Esquerda) são as mais importantes, embora, como essa última é privada, se tenha pedido ao INAG para tentar estabelecer um acordo com o proprietário para a sua utilização", disse.
O governador civil revelou ainda à Lusa que, em termos do transporte dessa água às zonas "críticas", uma das hipóteses que está a ser equacionada é a instalação de um "pipeline" (conduta) para distâncias curtas.
"Uma das possibilidade que existe é, através de tubos flexíveis, implementar uma solução improvisada para levar água a povoações que distem, 10 ou 15 quilómetros, das fontes de água. Mas é só uma hipótese que foi abordada", sublinhou.
O último relatório do Programa de Acompanhamento dos Efeitos da Seca, divulgado quarta-feira, mostra que a situação em Portugal Continental agravou-se na primeira quinzena deste mês, com 79 por cento do território em seca extrema ou severa.