Existe plano de intervenção em caso de emergência

O Regimento dos Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa garantiu hoje que existe um plano de resposta a situações de emergência no Túnel do Marquês, contradizendo a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, que hoje apontou falhas na segurança.

Agência LUSA /

Num comunicado enviado à agência Lusa, o comandante do RSB, António Antunes, afirma que o túnel tem "condições de segurança" para entrar em funcionamento quarta-feira, como está previsto.

O responsável do RSB garante que "foi elaborado um plano de resposta (plano prévio de intervenção)" após a realização dos "necessários reconhecimentos pelo pessoal e meios de intervenção do regimento que irão actuar prioritariamente no local" no âmbito da resposta a situações de emergência.

Os sapadores bombeiros também colaboraram na realização de testes de ventilação e desenfumagem, acompanhados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

"O RSB de Lisboa tem acompanhado os trabalhos de aprontamento do Túnel do Marquês, participando activamente em várias reuniões técnicas, fazendo reconhecimentos e emitindo pareceres sobre os documentos de segurança apresentados pelo consórcio" construtor, adianta o comunicado do comandante António Antunes.

O responsável acrescenta que, por proposta do RSB, foram aplicadas algumas medidas preventivas, como "a interdição de circulação a veículos pesados e que transportam matérias perigosas".

Esta medida, associada aos sistemas de segurança e gestão implementados e ao plano de resposta elaborado "permite considerar o Túnel do Marquês como uma infra-estrutura dotada das condições de segurança para a sua entrada em funcionamento".

A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) defendeu hoje que o Túnel do Marquês não deve abrir ao trânsito quarta- feira, como previsto, apontando falhas na segurança e falta de planos de emergência.

"Há coisas extremamente graves", alertou hoje o presidente da ANBP, em declarações à Agência Lusa, defendendo que o comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB), António Antunes, "no próximo mês supervisione a correcção das lacunas", por recear que "após a inauguração se instale o desleixo podendo colocar em causa a segurança contra o risco de incêndio, viaturas ou outra".

Entre as críticas apontadas, a associação de bombeiros afirma existirem "dúvidas na capacidade de gestão da equipa que vai efectuar a supervisão do túnel, desconhecendo-se se esta já está ou não constituída".

No documento hoje divulgado, a ANBP aponta várias questões relacionadas com "falta de segurança e normas indefinidas", entre as quais a inexistência de um passeio pedonal com a medida mínima de 90 centímetros, que deve ser, defende, "uma prioridade".

Outras alegadas falhas apontadas é a inexistência de uma central de bombagem autónoma, que deveria alimentar as bocas-de- incêndio, e não a rede da EPAL, e de "sprinklers" (sistema automático de extinção de incêndios), "nomeadamente nos locais de maior risco".

"Não podem ser consideradas saídas de emergência as rampas de entrada e saída de viaturas", afirma a ANBP, alertando ainda que tem de ser retirado um separador com cerca de 30 centímetros de altura no acesso a viaturas de socorro do lado nascente na Avenida Fontes Pereira de Melo, que "impede o fácil acesso".

Por outro lado, não existe "um plano prévio de intervenção nem um plano de emergência apresentado pela entidade exploradora do túnel" e que deve ser "terminado e testado durante o próximo mês e com a circulação de veículos para que seja mais fácil detectar as correcções que devem ser efectuadas".

Entre os aspectos positivos apontados pelos bombeiros profissionais, encontram-se um "sistema de desenfumagem muito bom e de fugas de 250 em 250 metros".

"Perante esta situação, a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais considera que o Túnel do Marquês não deveria ser inaugurado, aberto, sem que tais normas de segurança não fossem corrigidas", conclui o documento.

PUB