Faculdade de Educação Física da Lusófona recomenda prudência na atribuição de créditos
A direção e os Conselhos Científico e Pedagógico da Faculdade de Educação Física da Lusófona recomendam "toda a prudência" na creditação da experiência profissional dos alunos e aconselham uma reflexão sobre esta matéria, na sequência da polémica licenciatura de Miguel Relvas.
Num comunicado assinado pelo diretor Jorge Proença e a que a agência Lusa teve acesso, a Direção e Conselhos Científico e Pedagógico da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona afirmam que são " muito raros os casos em que é concedida creditação total a uma disciplina", garantindo que esta faculdade "sempre utilizou critérios de grande exigência".
"E, todavia, há estudantes com forte curriculo profissional", realçam, dando como exemplo a judoca Telma Monteiro.
"Toda a prudência é recomendada na creditação de experiência profissional não avaliada ou avaliada por critérios e pessoas que desconhecemos", recomendam.
Este comunicado surgiu na sequência de uma reunião ordinária de 2.º semestre e do ano letivo 2011/2012 que juntou o diretor, o Conselho Científico, o Conselho Pedagógico, todo o corpo docente e representantes de estudantes dos cursos da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona.
No texto que elaboraram, os responsáveis recordam o caso da licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais do ministro Miguel Relvas, que deu polémica por causa do número de equivalências (32) que obteve na Universidade Lusófona.
Recordando que as várias faculdades que integram a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias "gozam de autonomia científica e pedagógica", os responsáveis da Faculdade de Educação Física e Desporto realçam, contudo, que "dos processos de decisões tomadas ao abrigo dessa autonomia devem os autores ser responsabilizados".
"É reconhecida, interna e externamente, pela comunidade académica e profissional, a identidade, o rigor e a exigência própria dos Cursos e da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona", sublinham, acrescentando: "É tempo de terminar inqualificável mistificação a que temos assistido, afetando o profissionalismo, a competência e até a seriedade e credibilidade de que somos credores".
"Porquê onerar centenas de docentes e muitos milhares de alunso com o estigma de um ato sem sentido praticado por alguém há muito demitido das suas funções" questionam os responsáveis da faculdade.
As equivalências no caso da licenciatura de Miguel relvas foram validadas pelo ex-reitor da Universidade Lusófona no Porto, que na semana passada foi substituído no cargo por Isabel Lança.
O caso da licenciatura de Miguel Relvas deu polémica por causa do número de equivalências que obteve na Lusófona.
De acordo com o processo do aluno, foram atribuídos 160 créditos a Miguel Relvas no ano letivo 2006/2007. Com as equivalências atribuídas pela Universidade, Relvas apenas teve de fazer quatro disciplinas semestrais.
A Procuradoria-Geral da República está a analisar todas as notícias sobre a Universidade Lusófona e o ministro da educação anunciou quarta-feira que a auditoria a esta instituição já tinha arrancado.